Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No Dia do Comerciante, 16 de junho, a equipe do Portal RIOS DE NOTÍCIAS visitou a avenida Francisco Queiroz, no conjunto Manoa, uma das principais áreas comerciais da zona Norte de Manaus, para conversar com lojistas sobre a realidade e as necessidades dessa comunidade. As principais queixas envolvem limpeza, segurança e a preocupação com a estiagem, que devem prejudicar a compra de produtos de fora do Estado.
Segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), o comércio varejista apresentou um avanço de 7,3% no volume de vendas em maio deste ano em comparação ao mesmo mês do ano passado. No entanto, em conversa com nossa REPORTAGEM, os lojistas apontaram que sentiram uma queda nas vendas nos últimos dois meses, especialmente após o Festival de Parintins.
“As vendas estão bem devagar. Para ser bem sincera, deram uma caída este mês. No final do mês passado para cá, estamos sentindo o movimento cair”, explica Melissa Silva, 31 anos, gerente de uma assistência técnica de celulares.


O mesmo sentimento é compartilhado pelo vendedor Claudinei Santos, 35 anos: “As vendas estão razoáveis. Teve a festa de Parintins e deu uma caída, mas agora está voltando ao normal.”
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A avenida comercial do Manoa é bem movimentada e o fluxo de pessoas é grande durante todos os dias da semana, desse modo, outra questão abordado pelos lojistas é a precariedade da limpeza pública da região. A principal reclamação é o acúmulo de lixo nas ruas e, em dias de chuva, os resíduos entopem os bueiros, causando alagamentos.
“Durante a chuva, começa a transbordar porque desce o lixo das ruas ao lado para os bueiros daqui, e às vezes entope, alagando parte da rua”, disse Telmo Douglas, gerente comercial de uma loja de variedades.
Além disso, há queixas sobre a coleta seletiva, que ocorre em horários incompatíveis com o funcionamento do comércio. Os caminhões de lixo passam durante o expediente, dificultando o descarte adequado dos resíduos pelos comerciantes. Como resultado, o lixo acumula de um dia para o outro. À noite, sem coleta, os resíduos ficam expostos a cães e moradores de rua, que frequentemente espalham o lixo pelas ruas.


“A coleta de lixo tem que ser regular. É necessário estabelecer um horário específico para que os comerciantes joguem o lixo. O que percebemos é que, às vezes, os caminhões passam muito tarde ou muito cedo, antes do comércio fechar. O que acontece? O lixo fica para o dia seguinte. E aí, cachorros ou até pessoas em situação de rua rasgam os sacos de lixo, piorando a situação”, observa a gerente Melissa Silva.
Ismael Rodrigues, proprietário de uma assistência técnica de celulares, relata que a situação da limpeza piorou nos últimos meses e denuncia o abandono. “Está ruim porque eu não vejo mais passar aqui. Sempre passava aquelas mulheres que ficavam limpando na beira da calçada, mas agora está é muito sujo, parece que abandonaram o Manoa”, declarou o lojista.
Segurança pública
A segurança na região também é motivo de preocupação para os comerciantes. Entre os entrevistados, é comum ouvir relatos de tentativas de invasão e roubos às lojas, especialmente à noite, quando o comércio está fechado. Além disso, há queixas sobre furtos de celulares e outros bens pessoais de clientes que frequentam o local para realizar compras.
O vendedor ambulante, Vitoriano Luís, de 56 anos, relatou que foi vítima de um roubo recentemente, no qual arrombaram sua banca e levaram uma quantidade significativa de mercadorias. “Minha banca foi roubada há pouco tempo. Levaram algumas das minhas mercadorias. Não foi muita coisa, mas para mim faz muita falta R$ 1.500 em mercadorias,” afirmou.

A gerente Melissa Silva relata que na galeria onde sua loja está localizada já ocorreram várias tentativas de invasão. “Roubaram até os ar condicionado do andar de cima aqui da galeria, e as pessoas tiveram prejuízos”, disse ela.
Telmo Douglas, gerente de uma loja de variedades, reclama dos furtos frequentes e afirma que o policiamento na área é raro. “É difícil a gente ver por aqui. Pedimos apoio da polícia porque a criminalidade aqui é muito grande. Muitos furtos que ocorrem todos os dias, e a gente não tem como controlar. Muitas pessoas vêm para roubar, furtar, e isso traz prejuízo para a empresa”, explicou ele.
Estiagem 2024
Com o alerta do Governo do Amazonas, as medições indicam que a seca em 2024 pode ser mais severa do que a do ano passado. Essa situação gera apreensão no comércio local. Os empresários relatam que, durante a seca do ano passado, os preços subiram significativamente e muitas cidades sofreram com a falta de produtos. Para minimizar os prejuízos, eles estão antecipando a compra de alguns itens e realizando estoques, caso a estiagem se concretize.
No setor de eletrônicos, a preocupação é ainda maior, pois a maioria das mercadorias é importada de outros países. “Vem tudo de fora. Então, a gente já está sentindo o aumento que eles estão colocando no produto, o que afeta o consumidor final. Estamos tentando comprar agora o que ainda não aumentou para deixar em estoque, para que não falte e nem aumente o preço”, afirma Melissa Silva.


No varejo, os comerciantes estão adiantando até as compras para o Dia das Crianças e o Natal a fim de evitar o desabastecimento. “Estamos antecipando as compras que já estão começando a chegar, para não faltar mercadoria na loja e não ter falta de produto”, explica o gerente Telmo Douglas.
O que dizem as autoridades?
Questionamos a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) sobre os horários da coleta de lixo e a frequência das equipes de limpeza nas ruas da área comercial do Manoa. Também solicitamos informações sobre os horários e a frequência das rondas policiais, além dos contatos para que os comerciantes possam se comunicar de forma mais eficiente com as guarnições policiais. Até o momento, não obtivemos respostas de nenhum dos órgãos. O espaço permanece aberto.






