Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) divulgou que os radares eletrônicos de Manaus registraram 156.761 infrações de trânsito desde o início da operação até o final de agosto deste ano.
O Fala Manaus percorreu a zona Oeste, onde se concentra a maior parte das autuações. No radar localizado na avenida do Turismo com a rua Thales Loureiro, no bairro Ponta Negra, foram contabilizadas 17.508 infrações, liderando o ranking da cidade.

Outros pontos da região também registram números elevados:
- Avenida do Turismo, altura do número 3.727: 13.549 infrações;
- Próximo ao condomínio Mediterrâneo: 11.664 multas;
- Avenida Coronel Teixeira, em frente à 12ª Região Militar: 10.860 autuações;
- Em frente à Igreja Assembleia de Deus do Amazonas (Ieadam): 10.406 registros.
“Fiscalização demais, melhorias de menos”
Apesar de reconhecerem que os radares ajudam a manter o trânsito mais seguro, muitos motoristas questionam a quantidade de equipamentos e a forma como são instalados, além de se preocuparem com o destino do dinheiro das multas.
A cabeleireira Tatiane Pedrosa, que passa diariamente pelas vias monitoradas, relatou sua insatisfação e disse que o dinheiro pago nas multas não é revertido para a realização de reparos nos bairros.
“Acho desnecessário. Colocam várias câmeras para multar, mas o dinheiro não aparece para organizar o bairro. Alguns são privilegiados, outros não. Numa via dessas, o limite é 60 km/h, e a gente já está a 70 ou 80. Somos multados toda hora, e ninguém sabe para onde vai esse dinheiro”, disse.

O músico Elieldo Moreira, que frequenta a área de lazer da Ponta Negra, falou que a arrecadação do dinheiro das multas é uma injustiça.
“Não tem necessidade disso tudo. A Ponta Negra é uma área de lazer. Fiscalização é importante, claro, mas o que está acontecendo parece mais uma vontade de arrecadar dinheiro do que proteger.”

Já o professor Giovanni Carvalho alerta para o impacto econômico das penas sobre os trabalhadores, que precisam “se virar” para lidarem com mais um gasto.
“As multas pesam no orçamento. Às vezes, temos que tirar dinheiro que não temos. O ideal seria investir mais em educação no trânsito, em campanhas preventivas, do que apenas multar. E o valor arrecadado deveria ser aplicado na própria melhoria do trânsito, como sinalização e infraestrutura.”

Para onde vai o dinheiro?
A principal dúvida entre os motoristas é sobre o destino das infrações. “Esse dinheiro deveria ser aplicado em educação, segurança e infraestrutura, como asfaltamento e sinalização. Mas, sinceramente? Acho que a maior parte vai para o bolso da prefeitura.”
Tatiane complementa, apontando a falta de retorno concreto na infraestrutura da cidade. “Pagamos as multas e não vemos retorno em obras. Cadê os serviços de tapa-buracos? Os quebra-molas são tão altos que danificam os carros e geram prejuízo. Falta estrutura básica nas ruas”, pontua.

Diante do grande número de infrações, o Rios de Notícias entrou em contato com o IMMU para obter informações sobre a destinação dos recursos arrecadados, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta. O espaço segue aberto.






