Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No dia 24 de outubro, a capital amazonense celebra 356 anos. Apesar de suas riquezas naturais e da força de sua população, Manaus ainda enfrenta desafios significativos em áreas essenciais como transporte, mobilidade urbana, saúde, educação, infraestrutura, limpeza urbana, segurança pública e meio ambiente. Ainda assim, os manauaras mantêm o amor pela “cidade sorriso” e a esperança de que os futuros gestores tratem a capital com o respeito que ela e sua população merecem.
Saúde: a espera por serviços básicos
O acesso à saúde básica continua sendo uma das maiores preocupações dos moradores. A doméstica Aldenora Brasil, de 42 anos, relata a frustração com a demora na reforma da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Colônia Oliveira Machado.
“Nosso posto de saúde está em obra e até hoje não temos uma resposta. Eu tomo remédio de pressão, então tenho que ir para o Santa Luzia, para o Morro, e preciso chegar muito cedo. Se a gente chega lá com a receita, a funcionária olha com cara feia e diz: ‘Você não é lá da Colônia? Então a senhora tem que resolver suas coisas lá na Colônia’”, desabafa Aldenora.

Ela evidencia o transtorno de ter que buscar atendimento em bairros distantes, expondo uma realidade vivida por muitos manauaras que dependem do serviço público de saúde.
Segurança Pública: o medo da violência
A insegurança também é uma preocupação constante. A jovem Rebeca Beatriz, de 23 anos, trabalha como caixa em uma loja e já foi vítima de assalto no próprio local de trabalho.
“Aqui na loja onde vendo calçados, um homem se passou por funcionário de banco, perguntou se eu precisava de trocado e, quando me acompanhou até o banco, aproveitou um momento de distração e levou o dinheiro. Outro dia, abriram o vidro e levaram mercadorias da loja. Manaus precisa de mais câmeras e vigilância”, relata Rebeca.

A violência não se restringe aos comércios; o transporte público também é palco de assaltos frequentes, aumentando a sensação de vulnerabilidade entre os usuários.
Transporte e mobilidade: do ônibus velho ao sonho do metrô
O sistema de transporte público é alvo de críticas. Dernival Souza, de 50 anos, servidor público, descreve a situação da mobilidade urbana como insatisfatória.
“Está péssimo, muito a desejar. É ônibus velho, sujo, e o ar-condicionado não funciona – o que causa muitos problemas respiratórios. Para melhorar, deveria ter um metrô entre o Centro e a Zona Leste, e os ônibus só para integração nos terminais. Os transportes nunca melhoram, há muito assalto, e os responsáveis não resolvem nada”, critica.
Ele acredita que a população sofre as consequências de uma mobilidade urbana precária e da falta de políticas públicas eficazes.

Educação e infraestrutura: o abandono nos bairros
A educação e a infraestrutura nos bairros também preocupam os moradores. Janaína Gomes de Souza, de 32 anos, moradora do Nova Cidade, na Zona Norte, destaca a escassez de creches como um problema crítico para mães trabalhadoras.
“Não há creches suficientes para que as mães possam trabalhar. Estamos precisando! Na Zona Norte, só temos uma creche, e ela não atende à demanda. Precisamos de mais creches, escolas de tempo integral e professores”, afirma Janaína.

Na mesma linha, João Souza, de 53 anos, morador do Grande Vitória, na zona Leste, há quase três décadas, se sente abandonado pelo poder público.
“Nosso bairro está largado, a rua cheia de buracos, não temos posto de saúde e o ônibus demora demais. A segurança é zero, estamos entregues à bandidagem. Há dinheiro para show, mas não para investir na saúde. Nossa comunidade está abandonada”, denuncia João.

Emprego, renda e meio ambiente
Apesar das dificuldades, alguns manauaras enxergam oportunidades na cidade. Thiago Silva, vendedor de 30 anos, destaca a diversidade cultural e econômica do centro da capital.
“Aqui no Centro tem gente do mundo todo: chinês, turco, venezuelano, haitiano, peruano, colombiano… As pessoas reclamam, mas não buscam se profissionalizar e melhorar”, avalia Thiago, apontando a importância da qualificação profissional.
Já Raimundo Nunes, de 73 anos, pipoqueiro, chama atenção para a preservação do meio ambiente e a necessidade de cuidados com as áreas públicas.
“Aqui no Largo é muito bom e seguro, mas em outras praças não. Falta ação do poder público. Se plantassem mais árvores, a cidade melhoraria, mas isso só vai acontecer daqui a oito ou dez anos”, projeta.


Um futuro de esperança
Mesmo diante de tantos problemas estruturais, Manaus permanece no coração de quem acredita que a cidade pode evoluir. Entre belezas naturais e desafios históricos, os manauaras mantêm viva a esperança de uma capital mais justa, segura e preparada para seus habitantes no futuro.






