Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um estudo nacional sobre segurança pública acende um alerta para o avanço e a interiorização das facções criminosas no Amazonas, com presença consolidada em diversos municípios do estado e forte conexão com rotas internacionais do tráfico de drogas. O levantamento evidencia os desafios logísticos da Amazônia.
A análise integra o estudo “Experiências promissoras de prevenção e enfrentamento ao crime e à violência na Amazônia”, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que traz dados sobre a atuação, a distribuição territorial das facções e a necessidade de articulação nacional e internacional para conter o avanço delas.
Em entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o coronel Amadeu Soares, especialista em segurança pública, destacou os aspectos que corroboraram para o enraizamento das facções e apontou que esse caminho segue uma lógica estratégica, advinda das distinções históricas entre a capital e interior do Amazonas.
“É um fato que as facções enraizaram para o interior do Brasil e da Amazônia, porque elas sabem que as estruturas do interior são mais fracas do que nas capitais, em que pese que ela também está aqui na nossa capital, que é um grande centro consumidor na região Norte. O interior oferece menos capacidade de resposta do Estado”, avaliou.
O estudo também aponta a importância de uma integração nacional efetiva no enfrentamento ao crime organizado. Segundo Amadeu, iniciativas como a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) são relevantes, mas esbarram na falta de recursos.
“Essa integração precisa ocorrer, mais de fato, não só em termos de comunicação. A FICCO, dessas iniciativas todas é uma das melhores, mais precisa-se ter recurso. Precisa ter dinheiro, estrutura e continuidade. Não adianta anunciar operações sem garantir condições reais de funcionamento”, afirmou o especialista.
Outro ponto destacado são os gargalos logísticos nas áreas de fronteira e nos rios que conectam o Amazonas a países vizinhos. O coronel critica o discurso oficial sobre as bases fluviais. “O governo vende a base como uma panaceia, mas quando você vai lá ver, não tem combustível, a manutenção é precária”, disse.

Amadeu defende que o enfrentamento precisa ir além da presença ostensiva, com foco em inteligência e investigação. “A atuação nos municípios precisa ser sistemática e ininterrupta para que se possa sufocar as atividades dessas facções, quebrando os braços operacionais, logísticos e financeiros”, explicou o coronel.
No plano internacional, o estudo reforça que o Amazonas ocupa posição estratégica nas rotas do narcotráfico, o que exige cooperação direta com países vizinhos e com a Europa e a África. “Sem ação diplomática firme e integração entre os governos centrais, esse problema não será resolvido”, concluiu Amadeu Soares.












