Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um novo fato agrava as denúncias de atraso no pagamento de salários no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, administrado pela OSS Agir Saúde. Nesta terça-feira, 3/2, um(a) ex-colaborador (a) da empresa Madim Manaus, terceirizada responsável pelos serviços de imagem, denunciou que foi desligado (a) da função após questionar a ausência de pagamento pelos serviços prestados.
Segundo o relato ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, os atrasos salariais ocorrem de forma recorrente há cerca de oito meses. O depoimento aponta que, no fim do ano passado, houve inclusive um aviso prévio de cancelamento do contrato entre a OSS Agir e a Madim Manaus.
“Há cerca de oito meses os atrasos de pagamento são constantes na radiologia, por exemplo. Chegou a existir um aviso de cancelamento de contrato entre a Agir e a Madim no final do ano, mas não sei o que aconteceu que a Madim acabou ganhando a licitação por mais três anos”, relatou o(a) ex-funcionário(a).
Ainda conforme a denúncia, após a renovação contratual, a promessa feita aos trabalhadores era de que não haveria mais atrasos e que os valores pagos seriam reajustados. “Disseram que os atrasos acabariam e que haveria reajuste, porque o que recebemos é muito abaixo do teto para a profissão”, destacou.
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Apesar disso, a situação financeira dos profissionais teria se agravado. De acordo com a denúncia do (a) ex-colaborador (a), a empresa Madim justifica os atrasos afirmando que só realiza os pagamentos após o repasse da OSS Agir Saúde.
“Não temos vale-transporte nem alimentação e, mesmo com todas essas dificuldades, eles continuam atrasando o pagamento. Eles só pagam os funcionários se a Agir fizer o repasse, mas a explicação é sempre a mesma: a Agir não repassa”, afirmou.
O trabalhador relata que os profissionais ainda aguardam o pagamento referente ao mês de dezembro, mesmo após o encerramento de janeiro. O ponto mais sensível do relato envolve a repressão a questionamentos internos.
“Quando as pessoas pedem informações nos grupos, são tratadas com desrespeito. São pais e mães de família que só querem receber pelo serviço prestado”, declarou. Segundo ele (a), cobranças por informações têm resultado em desligamentos. “Tem muita gente sendo mandada embora simplesmente por cobrar e ir atrás dos próprios direitos”, acrescentou.
O (a) ex-colaborador (a) afirma ainda que questionou a lógica do pagamento diretamente nos grupos da empresa. Após esse posicionamento, o (a) trabalhador (a) foi orientado(a) a procurar o setor de Recursos Humanos e, em seguida, desligado(a).
Na última quinta-feira, 29, profissionais de saúde já haviam denunciado atrasos salariais no Hospital 28 de Agosto e no Pronto-Socorro da Criança da Zona Sul, apontando um cenário recorrente de instabilidade para trabalhadores de unidades essenciais da rede pública estadual.
A reportagem entrou em contato com a OSS Agir Saúde, a empresa Madim e a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.






