Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ex-assessor parlamentar da Câmara Municipal de Manaus, Josafá de Figueiredo Silva, foi preso nesta sexta-feira, 20/2, durante a Operação Erga Omnes. Ele atuava no gabinete do vereador Rauzinho (MDB) e, conforme as investigações, recebeu mais de dois milhões de reais em repasses ligados ao líder da facção criminosa investigada.
Josafá aparece alocado no gabinete do vereador como assessor parlamentar, segundo o Diário Oficial Municipal (DOM). De acordo com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), utilizados na investigação, foi identificado que ele transacionou valores com a empresa de Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder da facção.

Conforme as apurações, Allan comandava um esquema de tráfico de drogas que utilizava empresas de fachada e contava com o apoio de servidores públicos. A principal empresa de Allan Kleber enviou mais de R$ 120.000,00 em 18 remessas sem identificação da motivação dos pagamentos. O fato chamou a atenção das autoridades, principalmente porque Josafá já havia tido vínculo com o Legislativo municipal.
Segundo as investigações da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Allan mantinha o mesmo modus operandi, no qual suas empresas transferiam valores relevantes a pessoas sem qualquer relação com as supostas atividades oficiais de sua empresa de Transporte e Logística. As transferências ao assessor ocorreram em 2023 e 2024.
O Portal Rios de Notícias procurou o vereador Rauzinho para solicitar um posicionamento oficial sobre o caso. No entanto, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.
Operação Erga Omnes
A Operação Erga Omnes resultou na desarticulação de uma organização criminosa investigada por atuação estruturada nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com ramificações em diversos estados do país.
Até o momento, foram cumpridos 13 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas, além de 24 mandados de busca e apreensão nos sete estados envolvidos.
Durante a ação, foram apreendidos veículos, realizadas medidas de bloqueio de contas bancárias e decretado o sequestro de valores pertencentes aos investigados e a empresas fantasmas utilizadas pelo grupo criminoso.
Conforme a autoridade policial, essas empresas eram usadas para operacionalizar o tráfico de drogas em todo o território nacional. “As drogas eram adquiridas em Tabatinga, e os valores eram transacionados por meio de empresas fantasmas do Amazonas e do Pará, para posterior distribuição em outros estados do Brasil”, explicou o delegado Marcelo Martins.

No curso das investigações, foi constatada a participação de agentes públicos vinculados a diferentes órgãos das esferas municipal, legislativa, executiva e, inclusive, do Poder Judiciário. Essas conexões eram apontadas como fundamentais para a manutenção das atividades ilícitas.
Ainda conforme dados do Coaf, a movimentação financeira identificada ao longo de quatro anos ultrapassou R$ 70 milhões. As empresas fantasmas utilizadas pelo grupo atuavam, formalmente, no segmento de logística, com o objetivo de simular atividades lícitas.
Entretanto, as investigações revelaram que essas empresas não apresentavam qualquer movimentação compatível com o setor.






