Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), criticar publicamente a Operação Erga Omnes, especialistas em segurança pública afirmam que a gestão municipal deveria colaborar com as investigações deflagradas na última sexta-feira, 20/2.
A operação investigou um grupo que utilizava empresas de fachada para movimentar recursos e dar suporte à comercialização de drogas em diferentes regiões do país. As apurações apontam que o esquema contava com colaboração de pessoas ligadas à administração pública.
Entre os alvos está Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito, que recebeu entre 2021 e 2025 R$ 586.463,85 em remuneração líquida da Prefeitura. Ela foi presa na sexta-feira.
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Acusações do prefeito
Na última segunda-feira, 23, David Almeida acusou o Governo do Amazonas e a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) de manipulação da operação para atingir pessoas ligadas ao seu grupo político.
“O que está em andamento é uma operação para me sujar. Estão instrumentalizando o governo para tentar inviabilizar uma candidatura. A justiça é para todos”, declarou o prefeito, após a Operação Erga Omnes atingir a servidora do seu gabinete, Anabela Cardoso Freitas.
Críticas politizadas
Segundo o coronel Amadeu Soares, especialista em segurança pública, as instituições já se manifestaram em defesa da operação. Ele destaca que, do ponto de vista legal, não há possibilidade de reversão das medidas, incluindo a prisão preventiva dos investigados.

“Institucionalmente, o prefeito deveria colocar a estrutura administrativa à disposição das autoridades, colaborar com as investigações e afastar os envolvidos. Usar argumentos políticos para responder a acusações criminais não é uma atitude saudável”, afirmou.
Soares acrescenta que a operação deve seguir sem interferências externas e que as autoridades vão apresentar provas robustas para sustentar as acusações, respeitando o princípio constitucional da independência entre os poderes.
Pressão sobre as investigações
A especialista Vlais Monteiro aponta que críticas públicas de autoridades políticas podem impactar a moral e a autonomia técnica das equipes de investigação. Segundo ela, comentários que desqualificam a operação ou sugerem perseguição podem gerar pressão institucional e levar à autocensura investigativa.

“Quando críticas vêm de autoridades com poder de influência, os investigadores podem interpretar como desaprovação institucional, o que fragiliza a confiança e reduz a motivação para atuar em casos sensíveis”, explica.






