Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Fevereiro é o tradicional mês do Carnaval, período em que muitos foliões pretendem sair às ruas para curtir os bloquinhos. No entanto, especialistas alertam que diversas doenças podem ser transmitidas durante as comemorações, muitas delas relacionadas ao beijo.
Segundo pesquisa do aplicativo Gleeden, plataforma voltada para encontros não monogâmicos, 86% dos entrevistados afirmam que o Carnaval estimula novas experiências sexuais, incluindo o beijo com mais de um parceiro.
Porém, como alertam os especialistas ouvidos pelo Portal Rios de Notícias, o gesto em excesso e com pessoas desconhecidas pode trazer uma série de riscos à saúde, como a transmissão do vírus Epstein-Barr e do herpes. Isso ocorre porque a boca é repleta de bactérias e vírus que podem ser compartilhados durante o beijo.


“As principais doenças que podem ser transmitidas pelo beijo são duas: uma que não é sexual, causada pelo vírus Epstein-Barr, e outra que é uma infecção sexualmente transmissível, a herpes, que pode ser transmitida de boca a boca ou até da boca para o órgão sexual masculino e feminino. Por isso, são essas duas doenças que exigem um cuidado especial durante esse tipo de contato”, afirma Nelson Barbosa, médico infectologista.

Mononucleose
A mononucleose, popularmente conhecida como “doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr. Segundo o especialista, os sintomas costumam surgir cerca de 30 dias após o contágio e podem ser facilmente confundidos com uma gripe. Já no caso da herpes, o tratamento pode acompanhar a pessoa ao longo da vida, uma vez que a infecção não tem cura.
“Provocada pelo Epstein-Barr, a mononucleose não possui um tratamento específico, pois é uma doença sintomática, muitas vezes confundida com uma gripe, provocando febre e dor de cabeça. Para a herpes, há apenas tratamento na fase aguda, mas a pessoa pode apresentar vários episódios ao longo da vida, já que não existe uma cura definitiva”, diz o infectologista.

Infecções sexualmente transmissíveis
Por meio do beijo também, é possível transmitir ISTs bacterianas, como sífilis e gonorreia, e também virais, como HPV e herpes. O cirurgião-dentista Dr. Paulo Grandal reforça que essas doenças provocam pequenas feridas na boca, que liberam o patógeno, infectam a saliva e possibilitam a transmissão durante o beijo.


“Muita gente acha que é ‘só uma feridinha’, mas não é bem assim. Uma herpes ativa, por exemplo, pode causar dor, inflamação, dificuldade para comer e falar, além de se espalhar para outras regiões do rosto, o que causa, além de tudo isso, problemas emocionais e de relacionamento com outras pessoas”, afirmou Paulo Grandal.

O cirurgião-dentista destaca que é possível aproveitar o Carnaval, mas com alguns cuidados. Atitudes simples já ajudam bastante a reduzir os riscos entre os foliões, como:
- Observar se há feridas, bolhas ou ardência nos lábios;
- Não compartilhar copos, garrafas ou objetos que tenham contato com a boca de outras pessoas;
- Manter uma boa hidratação e alimentação;
- Cuidar da higiene bucal antes e depois das noites de folia;
- Quem já tem histórico de herpes deve ficar atento aos primeiros sinais, procurar orientação profissional e evitar contato íntimo com outras pessoas.
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Manaus registra aumento de diagnósticos de ISTs
A capital amazonense registrou aumento no número de diagnósticos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). De acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), Manaus contabilizou 7.503 casos de ISTs em 2025.
Entre os bairros com maior número de registros estão:
- Zumbi dos Palmares – 590 casos
- Monte das Oliveiras – 387
- Lago Azul – 325
- Gilberto Mestrinho – 318
- Tarumã – 306
Os dados indicam que a maior incidência ocorre entre jovens de 20 a 29 anos, embora pessoas de outras faixas etárias também estejam em risco.
As mulheres correspondem a 53% dos casos, enquanto os homens representam 47%. A faixa etária mais afetada é a de 20 a 29 anos, com 3.288 registros, seguida por 30 a 39 anos (1.510) e 14 a 19 anos (1.104).






