Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) -Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi presa em Teresina (PI) nesta sexta-feira, 20/2, suspeita de se passar por advogada para acessar processos judiciais sigilosos e repassá-los à facção criminosa Comando Vermelho. Ela atuava como elo entre o grupo e servidores públicos, facilitando operações criminosas que incluíam tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção.
A prisão ocorreu durante a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas. Durante a ação, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, anotações e um token que seria vinculado à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas, usado de forma ilegal.
Segundo a investigação, Lucila corrompia servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas para obter informações sob segredo de Justiça, permitindo que o grupo criminoso movimentasse cerca de R$ 70 milhões desde 2018, utilizando empresas de fachada para importar drogas da Colômbia com destino a Manaus.
O delegado Marcelo Martins, do 24º DIP, explicou que o esquema tinha ramificações dentro da administração pública, com servidores atuando como parceiros do crime, fornecendo suporte logístico e acesso a dados confidenciais. Relatórios do Coaf identificaram transações financeiras suspeitas de alto valor relacionadas ao grupo.
Lucila deverá passar por audiência de custódia e permanecerá à disposição da Justiça. As investigações seguem em andamento, com novas ações previstas.
O portal Rios de Notícias procurou o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) para esclarecer quais medidas estão sendo adotadas para proteger processos sob segredo de Justiça e apurar a possível participação de servidores. O espaço segue aberto.

Operação Erga Omnes
A operação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nos estados do Amazonas, Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí e Maranhão. Até o momento, 14 pessoas foram presas, entre elas:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas;
- Anabela Cardoso Freitas – Integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus David Almeida;;
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – apontado por envolvimento em movimentações financeiras suspeitas;
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
- Bruno Renato Gatinho Araújo – suspeito de integrar o esquema;
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara (AM).
- Além de servidores do Judiciário e ex-assessores de três vereadores de Manaus.
A Justiça autorizou, ainda, a quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados, bem como o bloqueio e sequestro de bens e valores.






