Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma publicação feita nas redes sociais de Marciele Albuquerque, cunhã-poranga do Boi Caprichoso, ganhou repercussão após um episódio ocorrido durante a Festa do Líder no Big Brother Brasil 26. O posicionamento foi divulgado depois que dois participantes fizeram gestos considerados estereotipados em referência a pessoas indígenas.
Durante a madrugada, os participantes Chaiany e Marcelo apareceram na festa batendo na boca e emitindo o som de “oh, oh, oh”, em um gesto associado a caricaturas de povos indígenas. Marciele reagiu imediatamente com expressão de reprovação e balançando a cabeça.
Após a reação, os dois participantes perceberam que a atitude não era adequada. Breno também se manifestou na hora, afirmando que o gesto não poderia ser feito por se tratar da cultura de Marciele.
Nota destaca combate a estereótipos
Em publicação no Instagram, a equipe que administra o perfil da cunhã-poranga, que tem ascendência do povo Munduruku e atua como ativista ambiental, criticou o episódio e destacou que pessoas indígenas ainda são alvo frequente de falas e gestos racistas, inclusive em momentos de lazer.
Segundo o texto, a situação ocorreu justamente em uma festa, momento que representa diversão e leveza, características associadas à personalidade de Marciele dentro do programa.
A publicação também relembra que, desde o início do reality, ela tem se posicionado sobre questões relacionadas à cultura indígena. Entre os episódios citados estão quando corrigiu o uso do termo “índia”, explicou a presença indígena nos meios digitais como forma de luta e denunciou a exploração histórica dos povos originários.
Os administradores do perfil ressaltaram ainda que a responsabilidade de combater o racismo não deve recair apenas sobre pessoas indígenas.
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“Pessoas indígenas não são enciclopédias ambulantes sobre dor, opressão e racismo. Exigir explicações o tempo todo é forçar a reviver violências e cansaços que não deveriam ser rotina. O racismo é estrutural e combatê-lo é responsabilidade coletiva”, diz trecho da publicação.
Repercussão nas redes
O episódio gerou comentários de internautas, que criticaram o comportamento dos participantes e reforçaram a necessidade de respeito à cultura indígena dentro e fora do programa.
Entre as reações, usuários apontaram que situações do tipo ainda são recorrentes e que não deveria caber às pessoas indígenas a função de ensinar o que é ou não ofensivo.






