Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante o lançamento do pacote de recapeamento de 67 ruas da zona Norte, nessa quarta-feira, 23/7, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), mencionou que o solo da capital seria do tipo “Tabatinga”, termo usado na geologia regional para se referir a um solo mais frágil, o que explicaria as dificuldades em asfaltamento na capital.
“Nós recapeamos a Avenida das Torres (…), mas a gente já precisa voltar lá para recuperar, porque a infraestrutura da nossa cidade é problemática. O nosso solo, ele é um solo praticamente de tabatinga, que não é um solo firme”, disse o prefeito.
David Almeida, prefeito de Manaus
A declaração chamou atenção, e o Portal RIOS DE NOTÍCIAS ouviu dois especialistas para explicar o que significa esse tipo de solo, qual sua presença em Manaus e quais as soluções possíveis para a pavimentação urbana da cidade.
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O que é o solo ‘tabatinga’?
Segundo o geólogo e engenheiro civil Andrew Müller, “tabatinga” é um tipo de solo muito úmido, altamente plástico e rico em matéria orgânica, comum na região do Alto Solimões, como no município de Tabatinga, e considerado uma fase inicial da formação do carvão mineral.

“Ele não é apropriado para servir de base de pavimentação. Em Manaus, esse tipo de solo pode até existir, mas apenas em áreas de várzea. Na área urbana, o solo predominante é areno-argiloso, com proporções variáveis entre areia e argila”, explicou Müller.
Andrew Müller, geólogo e engenheiro civil
Segundo ele, esse solo areno-argiloso pode até favorecer a pavimentação, desde que seja feito o controle adequado da umidade – fator que, quando mal administrado, compromete a resistência e durabilidade do asfalto.
Solo frágil e solução técnica
Para o mestre em geologia Igor Torres, as dificuldades para pavimentar vias em Manaus envolvem vários fatores além do tipo de solo. Segundo ele, a geologia local – com solos porosos, elevada permeabilidade e alta incidência de chuvas – exige atenção especial de engenharia.
“É possível que a fragilidade do solo propicie problemas, sim, mas isso pode ser amenizado com estudos geotécnicos, boa drenagem e outras soluções técnicas”, destacou.
Igor Torres, geólogo
Torres lembrou, ainda, que há mais de 10 anos já existiam pesquisas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a qual realizou sua graduação, para desenvolver um tipo de asfalto próprio para o Amazonas, adequado às condições climáticas e geológicas da região.
Estudo técnico aponta caminhos
O estudo ‘Estabilização do solo da cidade de Manaus com emulsão asfáltica para o uso em pavimentos.’, apresentado no Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia (Contecc 2018), conduzido por engenheiros da UEA e da UFAM, confirma que o solo de Manaus possui alta plasticidade, o que reduz sua resistência natural.
No entanto, os pesquisadores explicam que dá para melhorar a qualidade desse tipo de solo usando uma mistura com um asfalto líquido especial, chamado emulsão asfáltica.

Segundo o estudo, “a adição de emulsão asfáltica proporcionou o aumento significativo de resistência em relação ao solo puro”, o que significa que o solo ficou 43% mais resistente à pressão e mais de 50% mais resistente contra rachaduras e quebras.
Mesmo com essa melhora, os autores deixam um alerta: “o solo estabilizado com emulsão asfáltica não pode ser utilizado como base de pavimentos flexíveis”, ou seja, não é suficiente para suportar o peso de vias com trânsito pesado.
Por outro lado, o estudo reconhece que ele teve “resultados satisfatórios, podendo ser aplicado como uma solução aos pavimentos de baixo volume de tráfego da cidade”, como ruas menores e menos movimentadas.






