Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A seca que afeta a região amazônica também é responsável por um fenômeno conhecido como “Terras Caídas”, caracterizado pelo desbarrancamento das margens dos rios amazônicos. Com maior frequência durante a descida do rio, o risco para as comunidades ribeirinhas é significativo.
Na tarde desta segunda-feira, 7/10, um desabamento nas margens do rio Solimões, causou a destruição de parte do Porto na comunidade Terra Preta, localizada no município de Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus.
Desde o dia do incidente, várias equipes de órgãos municipais e do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) estão no local, realizando os atendimentos e as avaliações das condições do local.
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De acordo o professor Naziano Filizola, do Departamento de Geociências da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a área em questão já havia sido condenada pelo Serviço Geológico do Brasil em 2018. Ele afirmou à reportagem que “a seca extrema apenas antecipou esse evento.“
O desbarrancamento de longos paredões às margens dos rios amazônicos chama atenção pela força da natureza e, por outro lado, evidencia o risco a que moradores dessas áreas estão suscetíveis em várias regiões do estado.
Ao RIOS DE NOTÍCIAS, o mestre em Geologia e especialista em Segurança de Barragens, Igor Torres, explica que essa erosão ocorre quando a água dos rios desgasta os sedimentos nas margens, levando à formação de buracos profundos e, eventualmente, ao deslizamento de terra.
“O fenômeno de Terras caídas é muito comum na região Amazônica e ocorre e se torna mais evidente em tempos de baixas do nível dos rios (secas), como a que está acontecendo agora. Esse processo natural é acelerado por ações humanas, como a remoção de vegetação, que fragiliza o solo e aumenta a instabilidade das margens.”
Igor Torres, especialista
Ele ressalta a necessidade urgente de um monitoramento em áreas de riscos, a fim de implementar intervenções que estabilizem as margens. “É necessário investimentos em educação e conscientização, para explicar as comunidades ribeirinhas os ricos dessas áreas e como agir em situações de tragédias”, orienta.






