Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “Ele se entregou por medo de represálias e ameaças”, afirmou a delegada Patrícia Leão sobre Thiago de Mello Azedo, lutador de MMA, que se entregou à polícia na noite de segunda-feira, 20/5, após denúncias de agressão e ameaça de morte feitas por sua ex-namorada.
Segundo a delegada, as ameaças começaram devido à grande repercussão do caso nas mídias e redes sociais, quando a vítima, ex-namorada, expôs fotos em sua conta no Instagram. O caso ocorreu no dia 3 de maio.
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Em entrevista concedida nesta terça-feira, 21/5, a delegada titular da Delegacia Especializada de Violência Contra a Mulher (Deccm) detalhou os eventos que levaram à prisão do lutador.
A vítima afirmou que ambos haviam consumido bebida alcoólica e começaram a discutir durante o trajeto até a casa dela.
A discussão se intensificou ao chegarem à residência, culminando em agressões físicas por parte de Azedo. A vítima relatou que tentou se defender e gritou por ajuda. “Um vizinho ouviu, chamou o porteiro que interveio e conseguiu acabar com a violência naquela ocasião”.
A delegada Patrícia Leão explicou que o relacionamento entre a vítima e Azedo sempre foi tumultuado, marcado por ciúmes de ambos os lados. “Ela relatou que o relacionamento sempre foi complicado por ciúmes de ambas as partes. Há dois anos eles estavam juntos”, informou.
Apesar de a vítima já ter uma medida protetiva anterior contra Azedo, ela havia decidido dar uma nova chance ao relacionamento, acreditando que ele mudaria. No entanto, os eventos recentes mostraram que as agressões continuaram.
Patrícia Leão destacou a dificuldade de lidar com casos de violência psicológica, um tipo de violência doméstica que se tornou crime recentemente.
“É muito difícil identificar o que acontece diariamente numa rotina de violência doméstica e familiar. É muito difícil comprovar essa violência doméstica, mas com campanhas, divulgação, informação e orientação para as vítimas, a gente tem conseguido quebrar esses ciclos de violência e disseminar na cabeça da vítima que ela é que tem que cessar aquilo, se reconhecer como vítima e procurar ajuda”, alertou.
A delegada ressaltou que muitas vítimas não procuram ajuda por acreditarem que as medidas protetivas são ineficazes.
“O simples fato de quebrar uma medida protetiva já é um crime de descumprimento e cabe flagrante. Então, a vítima nos procurando uma delegacia, ou ligando para o 190, ou procurando a Ronda Maria da Penha, nós conseguimos prender em flagrante por descumprir a medida. Caso a medida protetiva por si só não seja o suficiente para cessar esse ciclo de violência, nós temos outros mecanismos que conseguimos proteger sim a vida dessa mulher”, explicou.






