Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Instalada no dia 30 de janeiro deste ano e idealizada pelo ativista ambiental Manuel Ademar Pinheiro, mais conhecido como “Mazinho da Carbrás”, a ecobarreira do igarapé Beira-Rio tem se tornado um projeto ambiental pioneiro na restauração dos ecossistemas urbanos da região.
Localizada no bairro Coroado, entre as avenidas Beira-Rio e Beira-Mar, na zona Leste da cidade, a ecobarreira é um projeto fruto de um conjunto de iniciativas voltadas para a revitalização ambiental de Manaus.
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A estrutura flutuante foi criada para conter o fluxo de lixo, agindo como um filtro dos poluentes presentes nas águas, impedindo a passagem dos resíduos sólidos.
“Uma parte dessa água vem das nascentes que estão dentro da Ufam, e a outra parte vem dos bueiros que foram drenados para dentro da Ufam. No percurso, as águas das nascentes encontram-se com as águas dos bueiros e deságuam no igarapé do Coroado. No entanto, a água que chega ao Coroado já está contaminada”, explicou Mazinho.
Projetos como esse do igarapé Beira-Rio desempenham um papel importante na preservação do meio ambiente e na promoção da sustentabilidade.
Como funciona
Além de melhorar o cenário local e ajudar com o bloqueio da passagem do lixo que se acumula em um só lugar, o projeto ambiental também traz uma série de benefícios adicionais para o ambiente urbano.
“A ecobarreira é um sistema que prende o lixo, ela acompanha o nível da água. Quando a água sobe, ela também sobe, mas quando o nível da água desce, ela desce também prendendo o lixo. E isso facilita a coleta do lixo, pois quando ela desce ela se transforma em uma ponte”, disse Mazinho.

A ecobarreira, no entanto, vai além das funções já citadas. Mazinho destaca a inclusão de filtros com pedras e a implementação de uma estação de tratamento de água utilizando a planta muriru.
“Ela é uma ecobarreira diferenciada, pois ela tem filtros com pedra e também estamos implantando uma estação de tratamento de água com uma planta chamada muriru. O projeto com as plantas está em fase de experimento, mas tenho o sonho de concluir esse projeto este ano ainda”, revelou o ativista.
Quanto à expansão, Mazinho expressa a intenção de levar a ecobarreira para outros igarapés da cidade.
“Desenvolvo este trabalho em parceria com a Prefeitura [de Manaus], e nossa meta é implementar a ecobarreira em todos os igarapés de Manaus. O igarapé do Coroado serve como um modelo piloto para futuras iniciativas em toda a cidade”, ressalta o ativista, demonstrando a visão de longo prazo com a preservação dos igarapés da região.
Idealização e revitalização
A revitalização do igarapé do Coroado começou há cerca de três anos. O local, antes utilizado como uma lixeira a céu aberto pela população local, foi alvo de um esforço conjunto para sua limpeza e recuperação.
“A revitalização do igarapé do Coroado é um projeto completo com cinco fases, e a ecobarreira faz parte de uma dessas fases. Começamos esse projeto há três anos, e foi um trabalho de formiguinha“, revelou o ativista.

O processo de revitalização teve início com a remoção do lixo acumulado, impulsionando o avanço do projeto.
“Começamos com um gari, que retirava o lixo de dentro do igarapé, enquanto eu conscientizava os vendedores ambulantes e os moradores das redondezas. Hoje, 90% do lixo foi removido, restando apenas 10% provenientes de resíduos de construção. Agora, estamos empenhados na arborização de todo esse trecho do igarapé do Coroado”, enfatizou Mazinho.
Atualmente, o projeto está na quarta fase, que envolve a remoção de areia, lodo e outros sedimentos do fundo do igarapé.
“Estamos realizando o desassoreamento de forma manual, pois não tem como entrar as máquinas. Logo depois, iremos realizar a instalação das outras ecobarreiras”, explica o ativista.
Embora desafiador, o projeto conta com a instalação prevista de cinco ecobarreiras ao longo do curso do igarapé. “Já instalamos a primeira ecobarreira, dividindo o curso do igarapé ao meio. Em seguida, planejamos instalar mais quatro ecobarreiras para completar essa etapa do projeto”, pontuou Mazinho.
Desafios
Quando questionado sobre quais foram as maiores dificuldades para a revitalização do local, Mazinho revelou que a conscientização da população, que estava acostumada a fazer o descarte de lixo ao redor do igarapé, foi a principal dificuldade.
“A conscientização, é a fase mais difícil. Mas eu tenho um trabalho feito lá na comunidade do Parque São Pedro, lá na Carbrás onde eu passei 20 anos para conscientizar os moradores. E aqui, com três anos nós já conseguimos. Conscientizamos 80% dos moradores que moram e que trabalham na Beira-Rio e na Beira-Mar, aqui do Coroado. E estamos conscientizando também as pessoas que vêm visitar a nossa comunidade”, relatou o ativista ambiental.

Conjunto de iniciativas
Equipe que está realizando os trabalhos são de um projeto de reinclusão à sociedade são do Instituto Nova Vida. Mazinho explica que a equipe é a responsável pela limpeza diária em torno do igarapé.
“Nós temos uma parceria com instituto ‘Missão Nova Vida’, do pastor Erivaldo Martins que tem uma base em Rio Preto da Eva e trabalha com jovens que são ex dependentes químicos. Esses jovens passam seis meses lá e estamos trazendo eles para a reintegração à sociedade, e aqui eles estão fazendo esse trabalho da preservação do igarapé. Eles recebem por esse trabalho, que ajuda eles e a família deles”, disse Mazinho.

Para Acácio Guedes, que é um dos integrantes do projeto e do instituto de reintegração, a oportunidade tem sido uma experiência nova.
“Está sendo bom, pois nós estamos podendo ajudar a sociedade. Antes nós tínhamos um método de vida totalmente diferente, e hoje estamos fazendo algo bom para a sociedade”, disse Guedes.
O projeto do Igarapé Beira-Rio está sendo mantido com um conjunto de iniciativas. A ecobarreira foi feita em parceria com a Prefeitura de Manaus, e com o apoio do deputado estadual Daniel Almeida.
Além disso, o projeto conto com a parceria do Instituto Missão Nova vida, Instituto filhos da Amazônia, Instituto Anjos da floresta e Omera da Amazônia.






