Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após a prisão de Ademar e Cleusimar Cardoso, irmão e mãe de Djidja, na quinta-feira, 30/5, o nome de uma nova droga sintética foi amplamente difundido: a Ketamina. Mas o que é?
Conhecida entre usuários como K, Keta, Cetamina, Vitamina K, Special K e Keyla, a Ketamina é um anestésico da família dos perturbadores, utilizado principalmente para a sedação e anestesia de animais e humanos de diversas idades.
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A Ketamina foi sintetizada pela primeira vez no início dos anos 60 pelo químico estadunidense Calvin Lee Stevens. Pouco depois da sua descoberta, começaram a investigar os efeitos da molécula em estudos clínicos com animais e humanos, eventualmente substituindo outra droga chamada fenciclidina, devido aos seus efeitos anestésicos com menos sintomas indesejáveis.
Inclusive, a Ketamina está listada nos medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo considerada segura e eficaz no tratamento de condições críticas no sistema de saúde.
Além de sua aplicação como anestésico, existem estudos apontando o potencial terapêutico da Ketamina para tratamentos de depressão e transtorno bipolar, com resultados rápidos cujos benefícios podem perdurar por semanas, inclusive em pessoas que não obtiveram bons resultados com outros antidepressivos.
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No uso medicinal, a administração é feita por via intravenosa ou intramuscular, enquanto no uso recreativo, é tipicamente cheirada em sua forma de sal (cloridrato de Ketamina), podendo também ser injetada no músculo ou consumida oralmente em sua forma líquida.
No entanto…
Assim como muitas outras drogas, que são inicialmente sintetizadas com finalidades medicinais, a Ketamina chegou às ruas e começou a ser utilizada recreativamente a partir dos anos 70, principalmente em clubes de música eletrônica.
No uso recreativo, a Ketamina se diferencia de outras substâncias sintéticas, pois algumas pessoas optam por utilizá-la em ambientes mais tranquilos para relaxar, enquanto outras ainda preferem dançar sob seus efeitos.
É comum ver o uso associado com outras drogas, como MDMA (ecstasy) e cocaína, sendo que a mistura com cocaína é conhecida como Calvin Klein.
Efeitos
Os efeitos da Ketamina começam com doses baixas, proporcionando uma sensação de embriaguez e flutuação, relaxamento dos músculos, vertigem, euforia e fala arrastada. Em alguns casos, a droga pode gerar um efeito “zumbi” no usuário.
Com doses mais altas, os efeitos se intensificam, surgindo confusão mental, diminuição da visão periférica, alucinações e náuseas.
Em doses muito altas, pode ocorrer o efeito conhecido como K-hole ou buraco, caracterizado por uma forte dissociação com o mundo externo, grande dificuldade ou impossibilidade de se mover, distorção dos sentidos, experiência fora do corpo, sensação de quase morte, redução da respiração e perda de consciência.
Os efeitos da Ketamina aspirada podem ser sentidos entre 10 a 15 minutos após o uso, com duração aproximada de 1 hora, podendo perdurar por mais 2 ou 3 horas.
Quando consumida oralmente, esses números tendem a dobrar, dependendo da alimentação prévia. Na administração intramuscular, os efeitos aparecem mais rapidamente, em cerca de 5 minutos.
A Ketamina é considerada segura quando utilizada de forma controlada para fins medicinais, mas apresenta maiores riscos no uso recreativo devido ao déficit no controle de qualidade e na dosagem.
Criminosos podem utilizá-la como droga de estupro, combinada com outras substâncias depressoras para facilitar a execução do crime.
O uso recreativo também pode deixar a pessoa vulnerável a acidentes, afetando visão, músculos e equilíbrio, além de potencializar efeitos desagradáveis e perigosos quando combinada com álcool, GHB (Ecstasy Líquido) ou benzodiazepínicos (hipnóticos e ansiolíticos).
O uso prolongado e compulsivo de Ketamina pode levar a sérias complicações de saúde, principalmente no sistema urinário, incluindo inflamações, incontinência, redução do tamanho da bexiga e dor ao urinar.
A Ketamina, por ser uma substância de uso controlado e exclusivamente medicinal, não tem garantias de qualidade quando adquirida no mercado ilícito. Portanto, a adulteração é uma preocupação real.
Mathew Perry morreu vítima da Ketamina
Matthew Perry, famoso por interpretar Chandler Bing na série “Friends” foi uma das vítimas da Ketamina. Perry morreu afogado em outubro do ano passado, em sua casa em Los Angeles, aos 54 anos. A autópsia, divulgada pelo Departamento Médico de Los Angeles em 15 de maio deste ano revelou que ele faleceu devido aos “efeitos agudos” da ketamina.
Perry havia lutado contra a dependência química por grande parte de sua vida. Em sua autobiografia “Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível”, lançada em 2022, Perry descreveu suas inúmeras tentativas de reabilitação e os desafios enfrentados durante as gravações de “Friends”. Ele detalhou suas lutas com opioides, que começaram após um acidente de jet ski em 1997, levando a uma longa batalha contra o vício.

Nos últimos anos, Perry também havia falado sobre o uso da Ketamina como parte de seu tratamento para depressão e ansiedade. A substância, quando utilizada corretamente sob supervisão médica, pode ser eficaz para esses fins. No entanto, os resultados da autópsia indicam que Perry estava em tratamento com Ketamina de forma frequente, o que pode ter contribuído para sua morte.
O laudo médico revelou que, além da Ketamina, foram encontrados traços de buprenorfina no organismo de Perry, um medicamento usado no tratamento da abstinência de opioides. A combinação dessas substâncias pode ter causado uma superestimulação cardiovascular e insuficiência respiratória, culminando no trágico acidente.






