Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, preso na operação Erga Omnes e apontado como dono da agência de viagens responsável pela emissão de passagens para o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou que Anabela Cardoso, ex-chefe de Gabinete, pagava viagens, hospedagens e aluguel de carros em dinheiro vivo.
De acordo com o depoimento de Alcir, dono da Agência Revoar Turismo, as passagens eram compradas para David Almeida, a primeira-dama Izabelle Fontenelle, o vice-prefeito Renato Júnior (Avante), Kassio (sobrinho do prefeito) e a esposa de Kassio.
Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo, no valor aproximado de R$ 34 mil, por Anabela Cardoso, ou ela utilizava o próprio cartão de crédito pessoal. Segundo as investigações, Anabela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para uma facção criminosa por meio de empresas de fachada.
“SKYTEAM para viagem pela Copa Airlines saindo de Manaus até Saint Marteen, que também vendeu o trecho para todas essas pessoas entre Saint Marteen e St Barths; os pagamentos por essas passagens das citadas pessoas foram à vista, com dinheiro em espécie, aproximadamente R$ 34.000,00. Anabela também pedia a emissão de passagens para o vice-prefeito Renato Júnior e demais pessoas da prefeitura, sendo a maioria em espécie. Quando Anabela emitia passagens para ela mesma, o pagamento era feito com o cartão de crédito dela”, diz trecho do depoimento.

Entre as viagens citadas está a do Caribe, alvo de investigação do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), que recomendou ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), em setembro de 2025, a realização de uma inspeção extraordinária nos contratos da Prefeitura de Manaus com quatro empresas, por suspeita de custeio de viagens por empresários com contratos milionários com a prefeitura.
No documento, consta que as cédulas usadas para pagamento eram, em sua maioria, de R$ 50,00 e R$ 100,00, havendo ocasionalmente notas de R$ 20,00. Os destinos mais comuns das viagens eram São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, além de viagens de férias dentro e fora do país.
“Quando as passagens eram para pessoas da Prefeitura de Manaus, os pagamentos eram em espécie”, diz trecho do depoimento.
Alcir também declarou à polícia que não tem conhecimento sobre a origem do dinheiro usado para pagar as passagens e afirmou não saber se os valores estavam ligados ao tráfico de drogas ou a atividades do crime organizado.
Inspeção em contratos da Prefeitura
O prefeito David Almeida apresentou defesa afirmando que custeou as passagens com recursos próprios e que sua ausência foi oficialmente comunicada à Câmara Municipal. Além disso, teria apresentado ao TCE-AM os comprovantes de pagamento das passagens emitidas pela empresa de Alcir, nos valores de R$ 14 mil e R$ 16 mil.


Em nota, a Prefeitura de Manaus esclarece que o prefeito David Almeida não é investigado na operação “Erga Omnes” e não figura como alvo de qualquer procedimento relacionado à operação. O comunicado ainda informa que eventuais servidores citados no inquérito responderão individualmente por seus atos, caso haja responsabilização.






