Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, e destruiu cerca de 90% dos imóveis, foi classificado como EF3, categoria que indica ventos de grande destruição, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
Embora fenômenos desse tipo sejam raros na região Norte, a Amazônia também registra ocorrências semelhantes, conhecidas como trombas d’água, que se formam sobre rios e lagos.
Segundo definição do Serviço Geológico do Brasil (SGB), a principal diferença entre os dois fenômenos está no local de ocorrência: o tornado se forma sobre a terra, enquanto a tromba d’água ocorre sobre superfícies aquáticas como rios, lagos ou oceanos.
Em termos de intensidade, tornados tendem a ser mais fortes e destrutivos, com ventos que podem ultrapassar 300 km/h, enquanto as trombas d’água geralmente têm ventos mais fracos, duram até cinco minutos e raramente causam danos significativos. Esses fenômenos costumam ocorrer com maior frequência durante a transição entre as estações.
Leia também: Enem 2025: portões são fechados em todo o Brasil
Registros na Amazônia
Alguns registros chamaram a atenção na região. Um deles ocorreu em Chaves, no arquipélago do Marajó, no Pará, onde uma tromba d’água surpreendeu os moradores.
O fenômeno, que durou poucos minutos sobre o rio Amazonas, aconteceu em agosto deste ano. As imagens repercutiram nas redes sociais pelo volume de água suspenso entre o rio e as nuvens.
Segundo os moradores, esta foi a quarta vez que uma tromba d’água se formou na região. Não houve registro de danos materiais nem de pessoas feridas.

Outro caso ocorreu em julho, na Praia do Amor, em Outeiro, distrito de Belém. Banhistas que estavam no local relataram que o clima mudou de forma repentina. Apesar do susto, não houve feridos.
“A gente começou a reparar que o vento ficou muito forte e gelado, né? Só que eu pensei: deve ser chuva. Quando a gente olha pro céu, a gente viu um negócio redondo, descendo na água”, contou um dos banhistas.

Em Coari, município distante cerca de 450 quilômetros de Manaus, o mesmo fenômeno foi registrado em 2021, no lago de Coari. Moradores ficaram assustados quando a tromba d’água se formou e permaneceu visível por aproximadamente 10 minutos. Assim como nos outros casos, não houve danos materiais nem feridos.

Aumento de fenômenos extremos
Outro fator que contribui para o surgimento das trombas d’água na Amazônia, de acordo com o SGB, é o desmatamento, que altera o equilíbrio térmico da região. A redução da cobertura vegetal faz com que o ar próximo à superfície fique mais quente, intensificando a evaporação e a umidade atmosférica.
Esse aumento de calor e vapor d’água favorece a formação de nuvens de tempestade e o encontro de massas de ar com diferentes temperaturas, condições que podem originar as trombas sobre rios e lagos.
Além disso, o cisalhamento do vento, fenômeno que envolve mudanças na velocidade ou na direção das correntes de ar em diferentes altitudes também influencia o comportamento dessas formações.
Na Amazônia, esse cisalhamento tende a ser mais suave, o que faz com que as trombas d’água sejam menos intensas e de curta duração, diferentemente dos redemoinhos mais destrutivos observados em outras partes do mundo.
Destruição no Paraná
No Paraná, um tornado de grande intensidade foi registrado na noite desta sexta-feira, 7/11. De acordo com o Simepar, análises de radares meteorológicos e imagens aéreas indicaram que os ventos chegaram a 250 km/h.
O fenômeno causou grandes estragos como casas foram destelhadas, paredes desabaram, veículos tombaram, árvores caíram e o município ficou em estado de devastação.


Pelo menos seis pessoas morreram e 750 receberam atendimento médico. De acordo com a Defesa Civil, cerca de 90% de Rio Bonito do Iguaçu ficou destruída, deixando mais de mil moradores desalojados, conforme informações do governo paranaense. O município tem cerca de 14 mil habitantes e fica a 400 quilômetros de Curitiba.
O governador Carlos Massa Ratinho Junior decretou estado de calamidade pública na cidade no sábado, 8.






