Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A cena eletrônica manauara afirma estar insatisfeita com a curadoria do #SouManaus Passo a Passo 2025, evento da Prefeitura de Manaus que será realizado neste mês. Nesta segunda-feira, 1º/9, o coletivo Conexão Eletrônica publicou em suas redes sociais uma nota de repúdio contra a desvalorização dos DJs da cidade.
O festival será realizado nos dias 5, 6 e 7, no centro histórico. A crítica central é de que a prefeitura estaria priorizando artistas nacionais com altos cachês, enquanto talentos locais são relegados a papéis secundários, sob a justificativa de que grandes nomes relutam em vir à capital amazonense.
Na nota, os DJs apontam que a proposta inicial do evento, que era valorizar a cultura local, vem sendo desvirtuada. Os principais pontos destacados foram:
- Prioridade para artistas de fora, em detrimento dos talentos da cidade;
- Espaço restrito para a música eletrônica, limitada a intervalos, com más condições técnicas de som e iluminação;
- Ausência de diálogo com a Prefeitura, que ignorou sugestões de criação de um palco exclusivo para DJs locais;
- Cobrança por mudanças que garantam respeito, visibilidade e condições dignas de apresentação.
O documento conclui pedindo que as próximas edições do festival se tornem, de fato, uma vitrine da diversidade cultural manauara e da economia criativa local.
Outros artistas também reclamam
Além dos DJs, profissionais de outras categorias artistícas locais também queixaram-se a respeito da desvalorização no evento.
O vocalista da banda Não Existe Saudade em Inglês, Paulo Henrique, relatou frustração por ter sido novamente impedido de se apresentar no festival neste ano. A justificativa teria sido que não poderiam repetir atrações, mas, segundo ele, artistas nacionais, como Joelma, já se apresentaram em edições consecutivas do evento.
Ele também apontou falhas no processo de seleção: artistas locais precisam se submeter a curadorias e cadastros burocráticos, enquanto nomes de fora são convidados diretamente. “É um processo demorado, bagunçado e que desmotiva”, afirmou.
Estrutura e visibilidade
A cantora, atriz e produtora cultural Vívian Oliveira destacou a segregação que os artistas locais enfrentam dentro do festival. Segundo ela, poucos conseguem espaço nos palcos principais, os cachês são desproporcionais e a estrutura oferecida é precária.
“A gente sempre foi tratado como alguém menor no line-up do festival. São poucos os que conseguem se apresentar nos palcos grandes, nos principais. Existe essa segregação nesse sentido. O cachê nem se fala: também é muito abaixo. A estrutura deixa muito a desejar. Sempre colocam os artistas locais espalhados pelos palcos menores. A sonorização não é boa, dá muita interferência e é bastante ruim”, relatou.
Repercussão nas redes
Além da manifestação dos DJs, internautas também usaram as redes sociais para criticar o festival. Muitos classificaram o Sou Manaus como “um evento político com caráter de entretenimento”, destinado mais a promoção pessoal do prefeito do que ao incentivo à cultura local.
“Sou Manaus é apenas pão e circo, um evento para distrair o povo e seduzir eleitores, enquanto os artistas regionais continuam sem espaço”, comentou um seguidor. Outro acrescentou “Eu amava ir, depois que esse prefeito veio acabou vom a nossa cultura. É uma pena”.
Teve também quem reforçou as críticas à falta de valorização dos artistas locais. “Valorizar os nossos artistas em um festival que é nosso, nada, né?”, escreveu uma seguidora.






