Paulo Vitor Castro – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo chama atenção para a importância da inclusão e do acesso a informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data busca ampliar o conhecimento da população e combater estigmas relacionados à condição neurobiológica, que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento.
Em entrevista ao programa Rios do Conhecimento, na rádio Rios FM 95,7, a psicóloga Giselle Melo da Silva e a pedagoga Márcia Maria Elmenoufi destacaram os desafios do diagnóstico e da inclusão de pessoas com autismo, especialmente no ambiente escolar.
Segundo a psicóloga, o autismo deve ser compreendido como uma condição do neurodesenvolvimento, dispensando o termo doença. “Não é uma doença, porque não existe uma causalidade, não tem como a gente definir um agente causador. É um espectro muito amplo e multifatorial”, explicou.

A especialista também destacou o a importância do avanço no acesso à informação sobre o tema.
“Hoje, qualquer pessoa, minimamente, consegue perceber quando algo foge do esperado no desenvolvimento da criança, como na interação ou na fala. Esse acesso ao conhecimento ajuda muito, já que, antigamente, as pessoas sofriam, mas não havia recursos, tecnologia ou acesso à rede médica para identificar essas situações”, destacou.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que cerca de 18,6 milhões de brasileiros declararam ter algum tipo de deficiência. Embora o levantamento não detalhe especificamente o número de pessoas com autismo, especialistas apontam que a ampliação do acesso ao diagnóstico tem contribuído para maior visibilidade do transtorno no país.
Desafios na inclusão escolar
No contexto educacional, a pedagoga destacou a importância da escola no acolhimento de crianças com autismo, mas ressaltou os limites da atuação docente.
“A escola tem um papel fundamental desse acolhimento, dessa socialização dessa criança com autismo. Mas nossa função é pedagógica. Quem dá o laudo é o médico, é o neuro. A gente não pode apontar ou dizer ‘eu acho que é isso’, porque isso não é nossa função”, explicou.

Ela também destaca a necessidade de formação de toda a comunidade escolar para lidar com a inclusão. “Não só o professor, mas o pedagogo, o funcionário da escola, todos têm que ter, mesmo que mínima, uma formação para poder lidar com isso, porque isso também faz parte do acolhimento. E, sobretudo, é essa sensibilidade, esse olhar sensível para com a criança”, completou.
O debate também envolve aspectos legais. A legislação brasileira garante o direito à educação inclusiva, reforçando a obrigação das escolas em oferecer condições adequadas para o desenvolvimento desses estudantes.
Sobre o programa
O Rios do Conhecimento é exibido semanalmente às quartas-feiras, das 19h às 20h, pela Rádio Rios FM 95,7 e também pelo canal da emissora no YouTube. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Rede Rios de Comunicação e o curso de Jornalismo da Fametro, proporcionando aos universitários experiências práticas em comunicação e jornalismo, sob a supervisão de professores.






