Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Dia dos Solteiros, celebrado nesta sexta-feira, 15/8, no Brasil, tem, ao longo dos anos, deixado de carregar a melancolia e a sensação de solidão — sentimentos que contrastam com o clima romântico do Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho.
Em vez de lamentar a ausência de um parceiro, cada vez mais solteiros vêm ressignificando a data, exaltando a liberdade, a autonomia e o amor próprio. O foco agora está em cultivar o relacionamento mais valioso e duradouro de todos: a conexão consigo mesmo.
Um ato de soberania emocional
De acordo com a psicóloga Deborah dos Santos, especialista em Saúde Mental, a data não se resume a “comemorar a falta de alguém”, mas sim a reconhecer e valorizar a si mesmo, algo que ela define como um ato de soberania emocional, conceito que se aproxima do que a psicanálise chama de “objeto seguro”.
“Celebrar o Dia dos Solteiros é um ato de soberania emocional. Não se trata de vangloriar a ausência de um parceiro, mas de reconhecer a presença plena de si mesma. Neurocientificamente, experiências que geram prazer autêntico e realização pessoal fortalecem áreas cerebrais responsáveis pela resiliência e pela autoconfiança. Na psicanálise, esse movimento é a internalização de um ‘objeto seguro’ — você — capaz de sustentar sua vida emocional sem depender do olhar externo”, explicou.

Segundo ela, a mudança de significado dessa data simboliza uma transição importante: de uma narrativa antes marcada pela carência para uma narrativa de potência, na qual a pessoa retoma o papel de protagonista da própria história.
“Ressignificar é reescrever o significado emocional de uma experiência — é a transição da narrativa de carência para a narrativa de potência. O cérebro responde a essa mudança diminuindo a produção de cortisol e aumentando a serotonina, criando mais equilíbrio e bem-estar. Na clínica, vejo que essa virada de chave devolve protagonismo e enfraquece sentimentos de isolamento”, destacou.
Como manter uma conexão saudável consigo mesmo
Para Deborah, manter essa conexão é um processo contínuo, que exige cuidado consciente com corpo e mente, estímulo intelectual e atenção às próprias necessidades.
“Para estabelecer uma conexão saudável consigo mesmo, é preciso manter rituais de excelência emocional: cuidar do corpo e da mente de forma consciente e intencional; manter o cérebro estimulado com novas experiências e aprendizados; cercar-se de pessoas que elevam seu padrão emocional e intelectual; reestruturar a narrativa interna, substituindo autocríticas por afirmações alinhadas à identidade desejada; e praticar a escuta profunda de si, reconhecendo necessidades e limites antes de buscar preenchimento externo”, aconselhou.
A psicóloga reforça que o período da “solteirice” não deve ser visto como um vazio, mas como um momento fértil de autodescoberta.
“A solteirice é um período fértil para lapidar quem somos antes de nos unirmos a alguém. É tempo de mapear gatilhos, fortalecer limites e refinar habilidades socioemocionais. Essa fase permite criar circuitos cerebrais mais saudáveis para lidar com intimidade, para que, ao entrar em um relacionamento, você some e não busque ser completada”, concluiu.






