Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Neste 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas, o Brasil celebra a diversidade e resistência de aproximadamente 1,6 milhão de indígenas, segundo o Censo de 2022. Entre essas histórias de luta e preservação cultural está a de Tainara da Costa Cruz, de 20 anos, do povo Omágua Kambeba.
Jovem ativista, comunicadora, influenciadora digital e representante de seu povo, Tainara já participou de debates internacionais sobre o clima. Em 2022, foi convidada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para representar a juventude indígena na 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP27), realizada no Egito.
Com raízes na Aldeia Jaquiri, no município de Alvarães, e atualmente morando na comunidade Três Unidos, na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro – a 1h30 de lancha de Manaus –, Tainara tem levado a cultura e as pautas do povo Kambeba para o mundo.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, ela relembra a mudança para a capital amazonense, aos nove anos, como um marco em sua trajetória. “Foi um mundo totalmente diferente. Mas também foi uma oportunidade de me reconectar com a minha cultura e de mostrá-la através das redes sociais e da internet”, conta.
Resistência digital e ancestralidade
Com o celular na mão, Tainara transforma as redes sociais em um espaço de resistência, educação e ancestralidade. Ela compartilha saberes tradicionais, denuncia injustiças e inspira outros jovens indígenas a ocuparem espaços historicamente negados a seus povos.
Vivências Kambeba: preservando tradições no Rio Negro
Seu mais novo projeto, intitulado “Preservação da Cultura Kambeba: Vivências Ancestrais na Comunidade Três Unidos”, será realizado nos dias 24, 25 e 26 de abril, às margens do Rio Negro. A ação, idealizada em parceria com Moara Tuane, terá oficinas e workshops voltados à comunidade ribeirinha, com foco no resgate e na valorização das tradições Kambeba.
“A intenção é dar visibilidade à nossa cultura, expandir esse conhecimento e conectar gerações – dos mais jovens aos mais velhos. É um projeto cultural, uma imersão dentro da comunidade. Vamos ter oficinas de grafismo, música, culinária e artesanato”, explica Tainara.

Omágua Kambeba: o povo das águas
Conhecidos como habilidosos navegadores e construtores de canoas, os Omágua Kambeba são tradicionalmente ligados aos rios e lagos da Amazônia. De origem no Médio Solimões, na fronteira com o Peru, a etnia carrega uma profunda conexão com as águas.
Hoje, a comunidade Três Unidos aposta no turismo de base comunitária como forma de preservar sua cultura e gerar renda. “O nome verdadeiro do nosso povo é Omágua, que significa povo das águas. Kambeba é como os outros povos passaram a nos chamar”, ressalta a ativista.






