Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Celebrado nesta sexta-feira, 25 de julho, o Dia do Escritor homenageia poetas, cronistas, romancistas e demais autores literários, cuja escrita desperta fascínio, reflexão e transformação em seus leitores. A data convida à valorização do repertório cultural que a literatura constrói ao longo dos anos na vida de quem lê — e de quem escreve.
A escolha do dia foi oficializada por meio de uma portaria assinada em 21 de julho de 1960 pelo então ministro da Educação e Cultura, Pedro Paulo Penido. A iniciativa surgiu por ocasião do I Festival do Escritor Brasileiro, realizado quatro dias depois, no Rio de Janeiro, promovido pela União Brasileira de Escritores (UBE). Um dos principais nomes por trás do evento era o então vice-presidente da entidade, o escritor Jorge Amado, autor de clássicos como Capitães da Areia e Gabriela, Cravo e Canela.
Mais do que uma comemoração, a data é também um momento de reflexão sobre os desafios enfrentados por escritores e escritoras: desde a busca por recursos financeiros até a dificuldade de acesso às editoras e à divulgação das obras em escolas, feiras literárias e eventos culturais.
“Antes de ser escritor, é preciso ser leitor”, afirma poeta amazonense
Para o poeta Nelson Castro, membro da Academia Amazonense de Letras e fundador do Clube Literário do Amazonas (CLAM), o gosto pela escrita nasceu da percepção da linguagem como ferramenta essencial para compreender o mundo — e a si mesmo.
“Descobri que queria escrever, ou melhor, que precisava escrever, no momento em que percebi o poder da linguagem para o ser humano. Mas antes de ser escritor, é preciso ser leitor da arte das palavras. Foi lendo o mundo, lendo os outros e, sobretudo, lendo a mim mesmo que comecei a compreender melhor a existência. Na adolescência, foi ao me deparar com um poema de Gabriela Mistral que me reconheci como poeta”, contou em entrevista ao portal Rios de Notícias.

Para Nelson, o 25 de julho é mais do que uma data simbólica. “Simboliza a importância vital que a escrita tem no mundo e o papel que o escritor desempenha na construção de sentidos, memórias e identidades. Celebrar essa data é reafirmar nosso compromisso com a cultura, com a linguagem e com o lugar que habitamos”, destacou.
Literatura amazônica resiste entre incentivos e desafios
Nelson também destaca que, apesar das dificuldades históricas, a cena literária manauara vive um momento de efervescência, impulsionada por políticas públicas como a Lei Paulo Gustavo, que oferece apoio financeiro para a publicação de livros e outros projetos culturais.
“Vejo com entusiasmo esse movimento que se fortalece com eventos como a Feira do Livro do Sesc, o Flic, o Flim, prêmios literários municipais, além de ações de universidades, editoras independentes e coletivos periféricos como o Slam e o Soul do Monte.”
Com o crescimento das redes sociais, muitos jovens autores passaram a ocupar o espaço digital, falando de livros, produzindo resenhas e indicando leituras. No entanto, ainda há uma predominância de obras estrangeiras nas discussões literárias, o que representa um novo desafio para os autores da região.
“Apesar do entusiasmo das novas gerações pelas redes, ainda é visível a centralização em obras estrangeiras, o que nos desafia, enquanto escritores amazônidas, a reafirmar nossas narrativas, nossa linguagem e nossa cultura. A literatura feita aqui precisa ocupar também os territórios simbólicos, para que sejamos lidos não apenas como exceção, mas como parte viva da produção literária brasileira”, concluiu.






