Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em pleno mês dedicado à onça-pintada, e neste sábado, 29 de novembro, data que marca o Dia Internacional do felino, um episódio registrado no Amazonas voltou a chamar a atenção para a importância de preservar uma das espécies mais emblemáticas das Américas.
O caso envolve o ciclista belarusso Serge Buzo, que viralizou nas redes sociais após ser seguido por uma onça-pintada enquanto pedalava pela BR-319. O vídeo, de poucos minutos, impressiona: o animal sai da mata, caminha atrás do ciclista e só recua depois que Serge acelera e grita para tentar intimidá-lo.
As imagens mostram o ciclista levantando a bicicleta para parecer maior e emitindo sons graves — uma reação instintiva que, segundo especialistas, provavelmente salvou sua vida. Morando no Brasil desde a pandemia, Serge percorre a América do Sul de bicicleta e afirmou que a perseguição durou cerca de três minutos.
Veja vídeo:
Para o tenente-biólogo Nonato Amaral, ouvido pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o comportamento da onça fugiu completamente do padrão observado pela ciência. “Aquele animal teve um comportamento totalmente atípico do que é conhecido da biologia desses bichos”, afirmou o responsável técnico pelo ZooTropical, espaço mantido pela empresária Maria do Carmo Seffair.
Comportamento ‘atípico’ do felino
Segundo ele, a onça não estava caçando. “Se estivesse predando, teria feito uma emboscada. Ali, ela se deixou ser vista”, explica. O que chamou a atenção foi a insistência do felino em seguir o ciclista, sem pressa e sem recuar.
Amaral levanta uma hipótese preocupante: a possibilidade de o animal estar associando pessoas a comida. “Isso nos preocupa. Pode indicar que alguém naquela região está alimentando a selva, fazendo com que o bicho associe a silhueta humana a algo positivo”, alertou.
Apesar disso, o biólogo afirma que a reação de Serge foi correta. “A atitude de gritar, levantar a bicicleta e parecer maior foi 100% válida”, disse. Para ele, em uma situação assim, é essencial manter a imponência e não desviar o olhar do animal.
O que não fazer
O especialista lista ainda o que não fazer: correr, virar de costas ou fingir-se de morto. “Correr caracteriza você como presa fácil. O certo é recuar devagar, olhar fixo para o bicho, aumentar sua silhueta e fazer barulho”, orientou.
Ele reforça outros cuidados básicos. “Não tente subir em árvores, a onça escala melhor que nós. Não pule na água, ela nada e caça dentro dela. E nunca tente capturar o animal”, destacou.
Quando há crianças por perto, a atenção deve ser redobrada. “A onça pode interpretar uma criança como presa. O adulto deve colocá-la atrás de si, para mostrar ao bicho um tamanho maior”, completou.
Mesmo assim, Amaral ressalta que esses ataques são muito raros. “Nós, humanos, não fazemos parte da cadeia alimentar da onça-pintada. O caso repercutiu pelo comportamento atípico do animal, não por risco natural à espécie humana”, afirmou.
A onça-pintada é uma espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos. Mantém o ciclo da floresta funcionando ao controlar populações de outras espécies, e sua presença é sinal de uma Amazônia viva.
DocumentaRios explora história de onça-pintada
A Rede Rios de Comunicação lançou recentemente um novo especial do projeto DocumentaRios, que acompanhou toda a operação de resgate e soltura da onça-pintada retirada do Rio Negro em outubro deste ano e devolvida à natureza em Novo Airão, a 196 quilômetros de Manaus.
Com quase 14 minutos, o documentário mostra todas as etapas, desde o resgate e os cuidados no ZooTropical até o momento final da devolução à floresta. O DocumentaRios já está disponível no canal oficial do Portal RIOS DE NOTÍCIAS no YouTube.






