Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No Dia Internacional da Mulher, 8/3, um dado histórico chama atenção no cenário político do Amazonas: em mais de um século desde a Proclamação da República, o estado nunca elegeu uma mulher para o cargo de governadora.
Desde a Proclamação da República, em 1891, o Amazonas já teve mais de 30 chefes do Executivo, incluindo presidentes de estado, interventores e governadores. Entre os nomes que marcaram época estão Eduardo Ribeiro, Álvaro Botelho Maia, Gilberto Mestrinho e Amazonino Mendes. A semelhança entre todos eles, porém, é histórica: nenhum foi mulher.

Apesar dos avanços na participação feminina na política brasileira nas últimas décadas – com maior presença em câmaras municipais, assembleias legislativas e no Congresso Nacional – o Amazonas ainda não registrou uma mulher à frente do governo estadual.
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O cenário evidencia um desafio persistente relacionado à representatividade feminina em cargos de maior poder e decisão. Especialistas e lideranças políticas apontam que barreiras estruturais, culturais e partidárias ainda dificultam o acesso das mulheres aos espaços de liderança na política.
A ausência de governadoras no estado também reacende o debate sobre igualdade de oportunidades e a necessidade de ampliar a participação feminina nas disputas eleitorais e nos cargos de comando.
Mulheres são competentes, aponta pré-candidata
Única mulher entre os pré-candidatos ao governo do Amazonas, a Professora Maria do Carmo (PL) destacou, em entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, que o machismo no cenário político contribui para a histórica ausência feminina no cargo. Segundo ela, as mulheres têm competência e preparo para ocupar posições de liderança.
Para Seffair, uma governadora poderia contribuir para ampliar o olhar sobre políticas públicas voltadas às mulheres, especialmente em áreas como combate à violência de gênero, feminicídio e violência sexual.
“Eu penso que aqui no Amazonas há um vácuo que precisa ser preenchido. Porque não há mais motivo para que a gente postergue isso. As mulheres são competentes, são capazes, são organizadas. Então eu acho que chegou a hora realmente da gente ocupar esse espaço e eleger realmente a primeira governadora aqui do estado do Amazonas”, declarou a pré-candidata.

Representatividade e mudanças públicas
Para o ambulante Rickson Batista, a mudança é necessária. Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, ele afirmou que votaria em uma mulher para governar o Amazonas, destacando que uma gestão feminina poderia trazer mais responsabilidade e maior compromisso com a população.
“Com certeza eu votaria numa mulher, porque precisa de mais responsabilidade. Tem certas coisas aí que não são certas, tem governador envolvido com coisa errada, e isso não é correto. O povo precisa pensar bem em quem vai assumir o governo”, comentou.
Segundo ele, algumas gestões estiveram ligadas a práticas ilícitas, o que reforça a importância de uma escolha consciente por parte dos eleitores.
Já a eleitora Francinete Alves destacou que gostaria de ver uma mulher no poder para se sentir representada. Segundo ela, o machismo ainda predomina em muitos espaços da política.
Francinete afirmou ainda que acredita que uma mulher no comando do governo poderia compreender melhor as necessidades femininas. Ela disse que votaria em uma candidata ao governo, mas avaliou que ainda faltam oportunidades e incentivos para que mais mulheres concorram a cargos como o de governadora.
“A gente precisa de uma mulher no poder, e eu, como mulher, eu preferia mulher mulher no poder, porque as mulheres entendem as nossas necessidades, né? Falta oportunidades, que coragem a gente tem até demais”, ressaltou.

Por que Amazonas nunca teve uma governadora? Especialistas analisam
Segundo a especialista em política e relações internacionais Andrezza Lima, a falta de apoio partidário, o acesso limitado a recursos de campanha e o preconceito estrutural ainda são barreiras para que mais mulheres ocupem os cargos mais altos da política, influenciadas por fatores econômicos e culturais presentes no cenário.
Para ela, a tradição de famílias no poder – historicamente dominadas por homens – e a conquista tardia do direito ao voto pelas mulheres ajudam a explicar essa desigualdade.
“Nós temos um estado aí tradicionalmente ligado a familiares que vão se perpetuando no poder e grande maioria são homens, né? A nossa cultura também, o Estado brasileiro como um todo, abriu a oportunidade para as mulheres votarem muito tardiamente. E eu imagino que também isso seja um peso ainda hoje para o nosso Estado”, destacou

Segundo a advogada e comentarista política Rafaella Torres, a ausência de mulheres nos cargos mais altos da política muitas vezes está ligada à falta de apoio dentro dos próprios grupos.
Torres afirma que homens tendem a favorecer candidaturas masculinas, enquanto a desconfiança em relação às mulheres reduz tanto o apoio quanto os votos. Esse cenário é evidente no Amazonas, que até hoje nunca teve uma governadora.
“Homens tendem a apoiar candidaturas masculinas com mais entusiasmo, enquanto a insegurança em relação às mulheres candidatas pode levar à falta de apoio e, consequentemente, à perda de votos. A ausência de uma governadora no Amazonas e a experiência limitada de Rebecca Garcia ilustram essa realidade”, ressaltar

Diante desse cenário, as especialistas destacam que ampliar a participação feminina na política é essencial para fortalecer a democracia e garantir a representação de diferentes realidades. A presença de mulheres em cargos de liderança contribui para decisões mais inclusivas e para a elaboração de políticas públicas mais sensíveis às demandas da sociedade.






