Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Conhecida como a “Pérola do Caribe”, a Ilha de Margarita – um destino turístico tradicional entre brasileiros, especialmente manauaras – voltou a ser tema de debate após a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano.
O fato reacendeu debates sobre a estabilidade política do país e levantou uma dúvida entre turistas brasileiros, ainda vale a pena visitar o destino?
Durante os anos 1990 e início dos anos 2000, Margarita viveu seu auge como um dos principais polos turísticos do Caribe sul-americano. A combinação de praias paradisíacas, comércio com isenção de impostos (free shop) e pacotes acessíveis atraía centenas de brasileiros todos os anos.
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Crise e impacto no turismo
Nos últimos anos, porém, a prolongada crise política e econômica da Venezuela impactou diretamente o turismo. Problemas na infraestrutura, oscilações no fornecimento de energia e a redução de voos internacionais diminuíram o fluxo de visitantes. A pandemia de Covid-19 agravou ainda mais o cenário, deixando hotéis fechados e parte da estrutura turística comprometida.
Apesar da instabilidade, a ilha continua sendo um destino de belezas naturais, como praias como Playa El Agua, famosa por sua extensão e serviços à beira-mar e Laguna de la Restinga, conhecida pela natureza exuberante e áreas de manguezais, ideais para passeios ecológicos.
Ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, amazonenses que já visitaram a tradicional ilha destacaram os pontos positivos. Segundo eles, os valores acessíveis, impulsionados pela desvalorização da moeda, e as belezas naturais com águas cristalinas se destacam entre os atrativos.
“Os valores de tudo, por conta da desvalorização da moeda, foram um ótimo ponto, você acaba conseguindo fazer compras e consumir bem. A ilha tem belezas naturais e praias com águas cristalinas”, diz Diana Silva.

A professora Gisella Vieira, que visitou a ilha há mais de 10 anos, também relembra a experiência de forma positiva.
“A primeira vez que eu fui foi uma experiência maravilhosa. Foi a melhor experiência que tive naquele ano. O nosso era bem mais valorizado, eles ainda não estavam usando o dólar, então nós tivemos, assim, um custo baixíssimo. A gente ficou muito bem hospedado”, afirma ela.

Insegurança entre turistas
Por outro lado, a falta de segurança foi apontada como um dos principais obstáculos para quem pensa em visitar a ilha, principalmente porque o clima de instabilidade gera receio entre os turistas, especialmente estrangeiros.
“Acredito que os pontos negativos são a falta de segurança, a gente sempre tem receio de ser assaltado por ser turista. Há uma disparidade muito grande entre estar ali para passear e, ao mesmo tempo, ver a pobreza das pessoas, a miséria do povo; isso é algo bem triste, infelizmente”, relata Diana.

Gisella também destaca que, diante do atual cenário político da Venezuela, não recomendaria a viagem neste momento, já que o contexto de instabilidade influencia diretamente na decisão de retornar ao destino.
“Hoje, nesse atual momento político que a Venezuela vive, eu não aconselho ninguém a viajar para a Venezuela, mesmo que a pessoa vá bem equipada ou amparada. Acredito que, pela instabilidade política, é o que a gente vê na mídia”, diz ela.
Fortalecimento do turismo
Como estratégia para impulsionar o turismo na região, Manaus e Caracas voltaram a contar com voos internacionais diretos, operados pela Rutaca Airlines. A retomada da rota reforça a integração entre o Amazonas e a Venezuela e amplia as possibilidades de acesso à Ilha de Margarita.
As operações ocorrem duas vezes por semana, às quartas-feiras e domingos, ligando diretamente as duas capitais. O valor das passagens gira em torno de R$ 2.090, a depender da data. Já a hospedagem tem média de R$ 1.000, conforme consulta a sites especializados em viagens.
Outra alternativa é o deslocamento por via terrestre. O trajeto inclui saída de Manaus pela BR-174 até Boa Vista, passando por Pacaraima, seguindo até Puerto La Cruz, o percurso que pode durar cerca de 35 horas e, posteriormente, travessia de balsa (ferry) até a ilha.






