Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Parlamentares da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) criticaram, nesta terça-feira, 30/9, a falta de efetivo policial e a ausência de unidades prisionais no interior do estado, após uma onda de violência provocada por facções criminosas no município de Envira, a 1.468 quilômetros de Manaus.
Na noite de segunda-feira, 29/9, suspeitos incendiaram ônibus e espalharam pânico entre a população, em um ataque que autoridades suspeitam ter sido uma retaliação a uma operação policial realizada dias antes.
Apenas oito policiais em todo o município
O deputado Comandante Dan (Podemos) denunciou o baixo número de agentes de segurança pública na cidade, classificando a situação como um “abandono das forças policiais no interior”.
Segundo o parlamentar, Envira conta com apenas oito policiais militares e cinco policiais civis para atender toda a população. Além disso, cerca de 35 detentos permanecem custodiados dentro da delegacia do município, o que sobrecarrega as forças de segurança.
“Os municípios estão literalmente abandonados. Polícia Militar e Polícia Civil não têm efetivo suficiente para garantir a segurança da população. Lá em Envira, estão vivenciando essa realidade todos os dias, com a ação de facções criminosas que matam pessoas, roubam estabelecimentos e causam terror e pânico”, disse Dan Câmara.
Falta de presídios agrava situação no interior
O deputado delegado Péricles (PL) também destacou a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura prisional.
Ele lembrou que, em muitos municípios, presos permanecem detidos dentro das delegacias, o que vai contra a legislação nacional e compromete a segurança pública.
“Houve um terror por conta das facções, que tocaram fogo em prédios e ônibus em Envira. Temos um problema sério de falta de presídios, especialmente no interior do estado. As pessoas e os presos continuam ficando em delegacias, algo que é ilegal, e esse problema precisa ser resolvido”, afirmou Péricles.
Ataques em resposta a operação policial
A onda de violência registrada em Envira ocorreu três dias após a Operação Red Flag 3, deflagrada pela 66ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) do município, que resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva contra integrantes de uma facção criminosa investigada por tráfico de drogas e homicídios na região.
A suspeita da polícia é de que os ataques da noite de segunda-feira foram uma retaliação à ação das forças de segurança, que visava conter a expansão e o domínio da organização criminosa na cidade.












