Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta terça-feira, 27/5, o deputado estadual João Luiz (Republicanos) criticou o que classificou como uma “inversão de valores” na sociedade ao tratar da crescente popularidade dos chamados “bebês reborn” – bonecos hiper-realistas que simulam bebês de verdade.
Em um gesto simbólico, o parlamentar segurava um bebê de brinquedo nos braços enquanto afirmava que o problema não está na compra dos bonecos, mas na tentativa de seus proprietários – especialmente pessoas que os tratam como filhos – de obter os mesmos direitos reservados a mães de crianças biológicas.
“Não tenho nada contra as pessoas que queiram comprar, que queiram usar, gastar entre mil e dez mil reais num bebê reborn. Mas o absurdo é que vem acontecendo em vários estados do país é que as mães dos bebês reborn querem os mesmos direitos das mães biológicas”, declarou.
Leia também: Uso excessivo de telas ativa mecanismos cerebrais semelhantes aos vícios em drogas, alerta neuropediatra
João Luiz defendeu que os direitos voltados à infância, como prioridade em filas de atendimento e uso de assentos preferenciais em ônibus, sejam preservados apenas para quem cuida de crianças reais.
“Tem mães querendo, deputada Joana — imagine, deputada Joana — a mamãe do bebê reborn ter o mesmo direito que a senhora. É uma coisa impensável: ter o direito, por exemplo, no ônibus, de usar os bancos de acessibilidade reservados […] As mães do bebê reborn querem ir à consulta médica, ter prioridade na fila. E, quando chegam na sala do pediatra, o médico pergunta: ‘Cadê a sua criança?’ — ‘Tá aqui a minha criança’. Qual é a prescrição que o médico vai dar ao bebê reborn?”, disse deputado.
Com o avanço desse fenômeno, o deputado anunciou que vai apresentar um projeto de lei para proibir o uso indevido de serviços públicos e benefícios destinados a mães e crianças biológicas por pessoas que tratam bonecos como filhos. A proposta pretende deixar claro que não se aplicam direitos como prioridade médica, assentos especiais, isenção em eventos ou até mesmo cerimônias religiosas – como batismos e consagrações – a essas situações.
Ele também destacou os riscos sociais desse comportamento: “As crianças vão sendo deixadas de lado e, com isso, vamos criando uma sociedade completamente abandonada. Essas crianças precisam de carinho, precisam de acolhimento materno, fraternal. Porque, se forem deixadas de lado pelos seus pais, serão adolescentes com problemas, jovens com problemas, adultos com problemas — e a nossa sociedade enfrentará um problema gravíssimo de suicídio, alcoolismo e drogas”, afirmou João Luiz.






