Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A depressão funcional, também conhecida como distimia ou Transtorno Depressivo Persistente, é uma forma discreta, porém duradoura de depressão, na qual a pessoa segue cumprindo suas tarefas diárias: trabalhar, estudar, conviver socialmente, enquanto enfrenta um sofrimento emocional constante e muitas vezes invisível.
A psicóloga e especialista em Saúde Mental Maria do Carmo Lopes alerta para a dificuldade de identificar esse tipo de depressão e reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
“Por serem sintomas leves e sutis, esses sinais podem ser confundidos com traços de personalidade, como pessimismo constante ou mau humor”, afirma a especialista.
Sintomas persistentes e confundidos
Segundo a psicóloga, a depressão funcional manifesta-se por sintomas mais leves, porém contínuos, o que contribui para que muitas pessoas não reconheçam que estão vivendo um transtorno depressivo. Entre os sinais mais comuns estão:
- Humor deprimido
- Irritabilidade
- Baixa autoestima
- Alterações no sono e no apetite
- Dificuldade de concentração
- Autocrítica excessiva
A profissional destaca a importância do autoconhecimento para identificar mudanças no bem-estar emocional. Tristeza frequente, sensação de vazio, insônia e a percepção de perda de qualidade de vida, mesmo mantendo a rotina, são alertas que não devem ser ignorados.
“Mesmo que a pessoa continue cumprindo suas responsabilidades, é essencial procurar um profissional de Saúde Mental. Em alguns casos, a avaliação de um psiquiatra também é recomendada”, reforça.

Riscos de ignorar os sinais
A ausência de tratamento pode agravar significativamente o quadro clínico. De acordo com a psicóloga, a depressão funcional pode evoluir para uma depressão maior, muito mais incapacitante, aumentando também o risco de suicídio. Além disso, pode comprometer a saúde física — com maior predisposição a doenças cardíacas e diabetes, e afetar memória, concentração e desempenho nas atividades diárias.
O impacto também se reflete nas relações pessoais, provocando conflitos, isolamento e queda de produtividade.
Psicoterapia como pilar
A psicoterapia é considerada um dos pilares do tratamento, por ajudar a pessoa a gerir os sintomas, modificar padrões de pensamento e comportamento e desenvolver estratégias emocionais mais saudáveis para enfrentar o dia a dia.
A psicóloga lembra que familiares, amigos e colegas desempenham um papel crucial na identificação da depressão funcional. Muitas vezes, quem sofre com o transtorno não reconhece a gravidade da situação por ainda conseguir manter parte da rotina.
“A rede de apoio pode ser determinante para observar mudanças de comportamento e incentivar a busca por ajuda profissional”, destaca Maria do Carmo Lopes.












