Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O processo de devolução dos valores descontados do contracheque dos trabalhadores da educação, em razão das faltas registradas durante a paralisação, já foi iniciado pelo Governo do Amazonas. Em nota, o governo informou, nesta quarta-feira, 7/6, que já está em fase de processamento de uma nova folha de pagamento.
Em relação ao reajuste em 8% do salário da categoria, anunciado no dia 1º de junho pelo governador Wilson Lima (União Brasil), o Governo do Amazonas enviou na terça-feira, 6, à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a mensagem governamental para a apreciação do novo reajuste.
A mensagem também garante concessão de Regime Complementar, um benefício de aposentadora adicional, para secretários escolares e coordenadores distritais e regionais. Já as progressões verticais, classificação que envolve evolução para níveis superiores na carreira, para 2.225 professores serão realizadas por meio de decreto.
Durante coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira, 1º, o governador Wilson Lima anunciou que, após o reajuste, o professor do Amazonas seria o nono mais bem pago do país.
“Só de data-base, de 2019 a 2021, a gente deu algo em torno de 13,92%. Pagamos o maior Abono Fundeb da história, que contemplou merendeira, serviço geral e administração, para fazer o devido reconhecimento desses profissionais. Aumentamos o auxílio-alimentação e o professor do Amazonas é o único servidor público da rede de ensino que tem plano de saúde privado, nenhum outro Estado tem esse beneficio”
Wilson Lima, governador do Amazonas
Os professores que aderiram à greve retornaram às salas de aula desde segunda-feira, 5, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam).
Novas negociações
Ao portal RIOS DE NOTÍCIAS, a presidente do Sinteam, Ana Cristina, criticou a mensagem governamental enviada para a Aleam. Para ela, o governo “descumpre a palavra ao enviar o projeto de lei com 8% de reajuste para a Aleam”, afirmou.
“Se o Governo disse que havia 15,19% para conceder de reajuste, ele precisa explicar o que aconteceu entre a noite do dia 31 de maio e a manhã do dia 1º de junho para que tudo tenha mudado. A categoria está em estado de greve, ou seja, retornou ao trabalho mas pode voltar a paralisar as atividades a qualquer momento”
Ana Cristina, Sinteam
Conforme a presidente do Sinteam, Ana Cristina, a desembargadora Joana Meirelles solicitou, durante audiência de conciliação, que o governo reveja o percentual do reajuste de 8% no salário da categoria.
No entanto, não houve nenhum acordo firmado e uma nova audiênsia será marcada para semana que vem. “O representante do governo pediu um prazo para verificar e retornar em nova audiência de conciliação a ser marcada para a semana que vem”, afirmou a presidente do Sinteam.
Linha do Tempo

No dia 11 de maio, os trabalhadores da educação aprovaram em Assembleia a greve para paralisar todas as atividades, em reivindicação ao 25% do reajuste salarial. Durante o encontro dos profissionais, ficou marcado para o dia 17 de maio o início da greve.
No entanto, no dia 15 de maio, o desembargador Domingos Chalub do Tribunal de Justiça do Amazonas determinou a greve como ilegal, por entender que o número de profissionais da educação na Assembleia como “ínfima”. Mesmo com a decisão, os trabalhadores da educação realizaram a greve no dia 17 de maio em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas.
Após quatro dias, o Governo do Amazonas apresentou a primeira proposta de reajuste de 8%, que foi rejeitada pela categoria em Assembleia.
Já no dia 29 de maio, o governo ofereceu a segunda proposta de 14% em forma escalonada: a primeira parcela de 8% seria paga de forma imediata, e a segunda de 6% em julho de 2024. Também foi recusada pela categoria.
No dia seguinte, o Governo apresentou a proposta de reajuste de 15,19%. A contraproposta seria discutida em Assembleia pela categoria. Porém, antes da votação, no dia 1º de junho, o governador Wilson Lima anunciou em coletiva de imprensa a proposta final de 8%.
No dia 2 de junho, em Assembleia, os professores viriam aceitar a proposta de 15,19%. E no dia 5 de junho, os professores que aderiram a greve retornaram às salas de aula.






