Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A menos de 15 dias para o fechamento da janela partidária, o deputado federal Amom Mandel (Cidadania) vive um isolamento político que coloca em xeque sua reeleição. Fenômeno de votos em 2022, quando foi o mais votado da história do Amazonas, Amom enfrenta hoje grande dificuldade para encontrar um partido para disputar as eleições.
A ascensão meteórica de Amom na Câmara Municipal de Manaus não se traduziu em força política na Câmara dos Deputados. No plano nacional, o parlamentar “patinou”. Ao manter um foco excessivo em problemas de Manaus e negligenciar a articulação nas comissões e no plenário.
Sem projetos aprovados e sem liderança de bancada, o parlamentar viu-se reduzido ao papel de menor expressividade em Brasília, onde, diferentemente da CMM, o tempo de fala e o prestígio dependem do tamanho do partido. Sua sigla atual, o Cidadania, é nanica e oferece pouco espaço para manobra.
A matemática da sobrevivência
O desafio para 2026 é partidário. Para se reeleger pelo Cidadania, Amon precisaria repetir o feito de quase 300 mil votos para carregar o quociente eleitoral sozinho. Fora de uma federação forte ou de um partido com musculatura, o risco de “morrer na praia” é real.
O problema é que a migração para uma sigla maior encontra barreiras na própria postura do deputado. Ao longo do mandato, Amom adotou o discurso do “contra tudo e contra todos”, rotulando a classe política de forma negativa.
Na prática, essa estratégia de marketing eleitoral criou antipatia entre presidentes de partidos e potenciais aliados. Ninguém quer abrir as portas para um candidato que, além de não ser “de grupo”, pode canibalizar os votos da legenda e tirar o mandato de quem já está lá.
Retrocesso?
O rumor que ganha força nos bastidores é o de um possível recuo estratégico: a candidatura a deputado estadual para garantir a manutenção do mandato.
Sem um partido competitivo até o dia 4 de abril, o fenômeno de 2022 corre o risco de virar apenas mais um deputado federal de mandato único história política do Amazonas.






