Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As vitórias de O Agente Secreto e de Wagner Moura no Globo de Ouro 2026 repercutiram entre especialistas em cinema ouvidos pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, que avaliam a conquista como um marco histórico e simbólico para o audiovisual brasileiro.
O Agente Secreto venceu em duas das três categorias em que foi indicado, feito inédito para o cinema brasileiro.
Para o crítico de cinema Lucas Souza, o resultado no Globo de Ouro não pode ser visto de forma isolada, ao relembrar que o representante brasileiro já havia sido amplamente reconhecido internacionalmente no Festival de Cannes 2025, quando Kleber Mendonça Filho venceu como Melhor Diretor e Wagner Moura foi eleito Melhor Ator.
“Não se trata de um gesto isolado, mas da legitimação internacional de um projeto que se impõe pelo rigor artístico e pela clareza de sua proposta. As vitórias mais recentes no Globo de Ouro reforçam essa trajetória e ampliam o alcance do filme dentro da temporada. Os dois prêmios recebidos ali funcionam como continuidade natural de um reconhecimento”, destacou o crítico.
Souza também destaca a dimensão artística da atuação de Wagner Moura. “Do ponto de vista artístico, O Agente Secreto marca o ponto mais alto da carreira de Wagner Moura. Sua força está na contenção, no domínio do tempo e na precisão com que constrói um personagem atravessado por tensões políticas e emocionais”, afirmou ele.
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O jornalista e comentarista de cinema Jonas Coelho classifica a conquista como um momento histórico. Para ele, o feito vai além de projeções futuras, ao lembrar que o Brasil enfrenta hoje um cenário de afirmação internacional após anos de dificuldades para se posicionar em grandes premiações.
“Em 83 edições do Globo de Ouro, esta é a primeira vez que um filme brasileiro conquista dois prêmios na mesma noite. Ainda que comece a soar como um ‘novo normal’ ver brasileiros sendo premiados e discursando em português para o mundo, como aconteceu com Fernanda Torres em 2025, por Ainda Estou Aqui, o peso dessa conquista merece ser celebrado”, explicou o jornalista.
Coelho também chama atenção para o discurso de Wagner Moura na premiação. “Quando ele afirma que é ‘um filme sobre memória, a falta dela é um trauma geracional’, o reconhecimento ganha ainda mais peso. É uma celebração que precisa ser dupla: em memória das vítimas da ditadura e em exaltação à força do cinema nacional”, avalia ele.
Corrida pelo Oscar

Na análise de Lucas Souza, as vitórias em Cannes e no Globo de Ouro colocam O Agente Secreto e Wagner Moura em uma posição concreta na corrida pelo Oscar. “A possibilidade de indicação deixa de ser apenas torcida e passa a se sustentar em fatos e na recepção crítica”, ao reforçar a disputa direta com nome fortes de Holywood.
Jonas Coelho concorda que a disputa é complexa, mas avalia que o Globo de Ouro foi decisivo. “Wagner Moura não apareceu em listas importantes como o Bafta, então vencer o Globo de Ouro era importantíssimo para a projeção ao Oscar 2026”, explica. “A campanha é longa e estratégica, e muitas vezes imprevisível”, concluiu.






