Redação Rios
O presidente de Madagascar, Andry Rajoelina, anunciou na noite de segunda-feira, 13/10, que deixou o país para “proteger a própria vida”, após uma unidade de elite das Forças Armadas se voltar contra o governo. Em um discurso transmitido pela televisão estatal, Rajoelina não confirmou sua renúncia, mas revelou ter buscado refúgio em um local não revelado.
A decisão do presidente ocorre em meio a intensos protestos que tomaram o país nas últimas semanas, liderados por jovens da chamada geração Z. A crise se intensificou no sábado, 11, quando a unidade militar de elite, a Capsat, se alinhou com as manifestações e passou a exigir a renúncia de Rajoelina e de seus ministros. O movimento foi rapidamente classificado pelo governo como uma tentativa ilegal de golpe de Estado.
Leia também: ‘Sem mudanças’, diz Caio André sobre retorno à CMM e vaga de Jacqueline deve ficar com Amauri Gomes
“Fui forçado a encontrar um lugar seguro para proteger minha vida”, disse Rajoelina, em sua primeira declaração pública desde o início da crise. O pronunciamento, que estava marcado para horas antes, foi adiado devido a uma tentativa de tomada de controle das instalações da emissora estatal por parte de soldados, conforme informações divulgadas pelo gabinete presidencial.
A Capsat, liderada pelo coronel Michael Randrianirina, declarou ter assumido o comando das Forças Armadas e nomeado um novo chefe militar. O coronel afirmou que a ação visava responder aos “apelos do povo”, mas negou que se tratasse de um golpe. Durante a ausência de Rajoelina, o novo comando militar foi aceito pelo ministro da Defesa.
Em seu discurso, o presidente pediu “diálogo” e respeito à Constituição de Madagascar, mas não forneceu detalhes sobre seu paradeiro. De acordo com a imprensa local, ele teria deixado o país a bordo de um avião militar francês, uma informação que não foi confirmada oficialmente pelas autoridades francesas. O vínculo histórico de Madagascar com a França, ex-colônia, e o fato de Rajoelina possuir cidadania francesa têm gerado polêmicas dentro do país.
Os protestos começaram em 25 de setembro, inicialmente em resposta a cortes frequentes de energia e água, mas rapidamente evoluíram para um movimento mais amplo, com críticas à corrupção, ao aumento do custo de vida e à falta de acesso à educação. De acordo com a ONU, pelo menos 22 pessoas perderam a vida nos confrontos, e dezenas ficaram feridas.
Esta é a maior crise política enfrentada por Rajoelina desde 2009, quando chegou ao poder com o apoio da Capsat, após um golpe militar que depôs o então presidente Marc Ravalomanana. Rajoelina foi eleito presidente em 2018 e reeleito em 2023, em uma eleição marcada por boicotes da oposição.
A situação em Madagascar gerou preocupações internacionais. A Embaixada dos Estados Unidos em Antananarivo emitiu um alerta pedindo aos cidadãos americanos que se mantenham em locais seguros, descrevendo o ambiente como “altamente volátil e imprevisível”. A União Africana, por sua vez, apelou por calma e moderação de todas as partes envolvidas.
O ex-primeiro-ministro de Madagascar e aliado de Rajoelina também deixou o país e chegou à ilha de Maurício na madrugada de domingo. O governo mauriciano confirmou o pouso de um avião particular com o grupo, mas manifestou seu desagrado com a situação política em Madagascar.
A crise segue em andamento, com a população e a comunidade internacional acompanhando atentamente os desdobramentos.
*Com informações da Associated Press.






