Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma pesquisa Genial/Quaest, realizada entre os dias 11 e 14 de dezembro de 2025, revela que 60% da população brasileira não aprova a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O levantamento mostra 36% de avaliação negativa e 24% regular, enquanto apenas 33% consideram o trabalho da Corte positivo. Outros 7% não souberam responder.
Para o advogado e especialista em Direito Eleitoral pela PUC-MG, Sérgio Roberto Bringel Júnior, a percepção negativa não surge por acaso e está ligada a fatores estruturais e comportamentais do próprio Supremo.
Segundo ele, um dos principais problemas está no modelo institucional do STF, que concentra funções demais.
Diferente de outras cortes constitucionais do mundo ocidental, o Supremo brasileiro não atua apenas em temas constitucionais. Em muitos casos, funciona também como instância recursal e como corte de competência mais gerais, acumulando praticamente todo tipo de conflito jurídico.
“Com isso, o STF acabou se tornando o receptáculo universal de praticamente todos os problemas jurídicos do país”, explica Bringel.


Exposição excessiva dos ministros pesa na imagem da Corte
Outro fator apontado pelo especialista é o comportamento dos próprios ministros. De acordo com Bringel, não há comparação em outras democracias para o nível de exposição pública de ministros no Brasil.
“Não há parâmetro em cortes do mundo em que ministros se coloquem como os nossos se colocam: concedendo entrevistas com frequência, comentando grandes temas nacionais fora do momento dos julgamentos e mantendo relações próximas com a política”, afirma.
Para ele, esse tipo de postura compromete diretamente a imagem de imparcialidade do Supremo e amplia a sensação de distanciamento da sociedade.

Judicialização da política alimenta percepção de ativismo
Além disso, Bringel destaca que parte do desgaste do STF não nasce dentro da Corte, mas no próprio sistema político brasileiro.
Segundo o especialista, o país criou o hábito de transferir decisões políticas para o Judiciário, em vez de resolvê-las no voto ou no Congresso.
Como o Supremo não pode se recusar a julgar quando é acionado, essa prática gera a percepção de ativismo judicial e de confronto constante com o Legislativo.
“Isso cria um atrito institucional permanente, que contribui para a imagem negativa do Supremo”, avalia.
Congresso é ainda mais mal avaliado que o Judiciário
Apesar da reprovação ao STF, a pesquisa mostra que a desconfiança da população é ainda maior em relação ao Congresso Nacional. O Senado registra 67% de desaprovação, enquanto a Câmara dos Deputados chega a 71%.
Na avaliação de Bringel, esse cenário reflete um descrédito mais profundo da sociedade com a política institucional.
Enquanto o Judiciário ainda preserva uma imagem técnica e de resolução de conflitos, o Legislativo é diretamente associado a escândalos, disputas partidárias e baixa capacidade de resposta às demandas sociais.






