Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As Forças de Segurança do Amazonas divulgaram novos detalhes sobre a prisão de Fernando Batista de Melo, de 46 anos, suspeito de matar o próprio filho, Manoel, de apenas 3 anos.
A captura ocorreu na madrugada deste sábado, 24/1, após uma operação integrada que mobilizou a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). As buscas foram concentradas nas proximidades do Cemitério do Tarumã, após sinais de ocupação recente em uma área de mata, incluindo uma fogueira em local de difícil acesso.
Motivação do crime
Segundo o delegado-geral, Bruno Fraga, o crime teria ocorrido porque Fernando não aceitava o fim do relacionamento com a ex-companheira, mãe da criança, encerrado no Natal de 2025. Desde então, ele havia deixado a casa, abandonando a mulher sozinha com dois filhos, um bebê de 10 meses e o menino de 3 anos, sem qualquer apoio financeiro e se recusando a pagar pensão alimentícia.
“Ele informou que a mãe da criança entrou em contato porque o filho não estava mais pagando pensão alimentícia e se recusava a prestar auxílio material. A mulher, desesperada por não conseguir sustentar as crianças sozinha, pediu que o avô conversasse com ele. Após essa conversa, o homem foi até a casa da ex-companheira, onde a ameaçou, inclusive com registro em vídeo. Segundo a polícia, além do homicídio, ele também responderá pelo crime de ameaça”, disse o delegado.
Cortes no braço
Após a prisão, Fernando foi encaminhado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde permaneceu em silêncio durante o depoimento e não quis se manifestar. Durante as investigações, surgiram rumores de que ele teria tentado tirar a própria vida, mas a polícia descartou a versão, pois os cortes eram superficiais e indicavam apenas tentativa de se passar por vítima.
“O fato dele ter alguns cortes não confirma a versão de que teria tentado tirar a própria vida, como ele mesmo disse informalmente. Quero agradecer à população do nosso estado e o esforço da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, que permaneceram na área até que ele se entregasse”, afirmou o delegado.

O delegado destacou ainda a frieza com que o crime foi cometido e alertou para possíveis tentativas de distorcer os fatos.
“É importante destacar a frieza com que ele atuou, porque agora vão aparecer diversas tentativas de argumentação de que ‘fui tomado por uma força extraterrestre’ ou ‘fui tomado por um ataque de fúria’, e nada disso condiz com a dinâmica dos fatos”, declarou Bruno.
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Esconderijo e prisão
O delegado Adanor Porto, da DEHS, reforçou que Fernando revelou informalmente que chegou a cavar buracos para se esconder, e que equipes policiais passaram próximas sem percebê-lo.
“Ele mencionou que chegou a cavar buraco para se esconder e disse que as equipes passaram por ele, mas ele estava dentro de um buraco”, relatou.
Segundo as autoridades, houve movimentação na região, e o suspeito acabou sendo localizado. Ao ser abordado, Fernando alegou que estava praticando atividade física, versão que levantou suspeitas dos agentes, já que ele se encontrava descalço, bastante suado, com escoriações visíveis e demonstrando nervosismo incompatível com a explicação apresentada.
O homem agora está à disposição da Justiça e deve responder por homicídio triplamente qualificado, além das investigações sobre violência doméstica, que devem ser conduzidas pela Delegacia da Mulher.
Relembre o crime
Uma criança de três anos foi morta após ser arremessada contra a parede pelo pai, identificado como Fernando Batista de Melo, 46, segundo informações divulgadas pelo delegado Fábio Silva, responsável pelo atendimento da ocorrência.
O crime aconteceu na noite desta quinta-feira, 23, dentro do banheiro de uma kitnet localizada na rua São Marçal, no bairro Cidade de Deus, zona Norte de Manaus.

De acordo com o delegado Fábio Silva, a cena encontrada no local causou forte impacto na equipe policial. Segundo ele, mesmo após anos de atuação na segurança pública, o caso foi um dos mais graves já presenciados.
“Nos meus anos de polícia nunca vi algo parecido. Um pai brigar com a esposa e matar o próprio filho de três anos por vingança é algo que choca qualquer ser humano”, afirma.
Ainda conforme o delegado, o fato de ele também ser pai de uma criança pequena tornou a situação ainda mais difícil de ser enfrentada. “A cena em que encontrei a criança morta no banheiro é algo que acredito que nunca vai sair da minha cabeça”, completou.












