Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), iniciada na última segunda-feira, 10/11, registrou a menor participação de chefes de Estado e de governo desde a COP25, realizada em 2019 na Espanha, contando oficialmente com 31 representantes neste ano.
O evento ocorre em Belém, no Pará, e reúne representantes de diversos países para discutir políticas globais de enfrentamento às mudanças climáticas. Segundo o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), a capital paraense recebeu 129 líderes estrangeiros.
No entanto, esse número inclui vice-presidentes, vice-primeiros-ministros e ministros. Considerando apenas chefes de Estado e de governo, a participação cai significativamente para 31 representações.
Até o momento, o governo brasileiro já investiu R$ 382,3 milhões na realização da COP30. Desse total, R$ 323,7 milhões foram destinados à Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), sediada na Espanha e responsável pela organização do evento. Outros R$ 20,3 milhões foram repassados à Secretaria de Estado de Transportes do Pará.

Histórico das conferências climáticas
Antes da edição atual, outras conferências do clima já haviam enfrentado desafios de organização e deslocamento.
A COP25, realizada em 2019, teve seu local alterado duas vezes. Inicialmente, seria sediada no Brasil, que havia se oferecido para receber o evento. No entanto, o país retirou sua candidatura em novembro de 2018, alegando restrições orçamentárias e mudanças na política do novo governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Após isso, o Chile assumiu a responsabilidade pela conferência. Contudo, devido a intensos protestos sociais e à instabilidade política, o governo chileno anunciou, a pouco mais de um mês do início do evento, que não poderia mais sediá-lo. A presidência permaneceu com o Chile, mas a localização física foi transferida para Madri, na Espanha, que aceitou o convite em curto prazo.
O evento ficou conhecido como “COP25 Chile-Madri” e teve a participação de apenas seis líderes mundiais: três presidentes e três primeiros-ministros. Em países parlamentaristas, o primeiro-ministro exerce funções equivalentes às de chefe do Executivo, semelhante ao papel do presidente no Brasil.
Pandemia e retomada dos encontros
A COP26, inicialmente prevista para 2020 em Glasgow, na Escócia, foi adiada devido à pandemia de Covid-19. O evento ocorreu em 2021 com a presença de 120 líderes mundiais, sendo 60 presidentes, 54 primeiros-ministros, cinco monarcas e um secretário de Estado do Vaticano. E reuniu cerca de 25 mil pessoas, sendo um dos maiores encontros internacionais desde o início da pandemia.
No caso do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin atua como principal responsável pela administração e diplomacia da Santa Sé, exercendo funções equivalentes às de chefe de governo.

Edições seguintes
A COP27, realizada em Sharm El-Sheikh, no Egito, contou com a participação de 103 líderes mundiais: 62 presidents, 57 primeiros-ministros, um secretário de Estado do Vaticano e dois monarcas.
A COP28, sediada em Dubai (Emirados Árabes Unidos), foi considerada a mais prestigiada entre 2019 e 2025, reunindo 139 chefes de Estado — 78 presidentes, 51 primeiros-ministros, nove monarcas e o secretário de Estado do Vaticano. O alto número de monarcas presentes se deve à forte adesão de países islâmicos.
Já a COP29, realizada no ano passado em Baku, no Azerbaijão, registrou queda na participação, com 61 chefes de Estado: 32 presidentes, 28 primeiros-ministros, um secretário de Estado do Vaticano e um monarca.
Em contraste, a COP30 deste ano, no Brasil, apresentou a menor presença de líderes desde 2019, com 31 representantes ao todo: 18 presidentes, 11 primeiros-ministros, um secretário de Estado do Vaticano e um monarca.

Classificação dos países participantes da COP30
- Desenvolvidos (13 países): Alemanha, Finlândia, França, entre outros.
- Emergentes (6 países): Chile, Colômbia, Suriname, entre outros.
- Subdesenvolvidos (12 países): Moçambique, Namíbia, Honduras, entre outros.
Relação entre Brasil e Reino Unido
Embora o príncipe William tenha representado o Reino Unido na COP30, a monarquia britânica não deve contribuir financeiramente com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), destinado à conservação da Amazônia. O país afirmou preferir atuar por meio de parceiros do terceiro setor, o que levantou questionamentos sobre a eficácia da conferência diante dos altos gastos públicos.
O Reino Unido informou que, no momento, não pretende investir no TFFF, justificando a decisão com foco no “crescimento interno”.
“Neste momento, o crescimento interno e a elevação do padrão de vida são o foco principal deste governo”, afirmou a Embaixada Britânica em nota.

Ainda assim, a embaixada destacou que busca alternativas para mobilizar o setor financeiro privado britânico a apoiar o programa. Para o governo britânico, o TFFF representa “uma inovação muito importante no financiamento florestal”.
O Reino Unido prestou contribuições técnicas na formulação do fundo, o que criou expectativas de que o país também realizasse aportes financeiros.












