Redação Rios
BRASIL – Após o incêndio ocorrido na quinta-feira, 20/11, que paralisou temporariamente as negociações da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30), a presidência da conferência publicou, na madrugada desta sexta-feira, 21, uma nova versão do rascunho do documento final.
O texto não traz qualquer menção à criação do chamado “mapa do caminho” para o fim do uso de combustíveis fósseis.
O documento, denominado “Decisão Mutirão”, foi divulgado por volta das 3h e reúne os principais pontos de impasse das negociações climáticas. A ausência de um roteiro para abandonar petróleo, gás e carvão, principais responsáveis pelo aquecimento global, frustrou ambientalistas que esperavam avanços mais concretos na transição energética.
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O “mapa do caminho” era defendido por cerca de 80 países, segundo organizações da sociedade civil, e foi uma das principais reivindicações apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Cúpula de Líderes, que antecedeu a COP30. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também havia reforçado o pedido em seu discurso na véspera.
Entre os apoiadores da proposta estão Alemanha e Reino Unido. No entanto, países produtores de petróleo resistem à adoção de um roteiro obrigatório. Em 2023, na COP28, em Dubai, foi firmado um acordo que mencionou pela primeira vez a necessidade de “transição rumo ao fim dos combustíveis fósseis”, mas sem apresentar um plano detalhado para essa mudança.
Poucas horas após a divulgação do rascunho, um grupo de países enviou uma carta à presidência da COP30 afirmando que não aceitará um documento sem o mapa do caminho.
“Não podemos apoiar um resultado que não inclua o roteiro de implementação de uma transição justa, ordenada e equitativa para longe dos combustíveis fósseis”, diz o texto.
Entre os signatários estão Colômbia, Alemanha, Ilhas Marshall e Vanuatu, estas duas últimas, nações insulares do Pacífico ameaçadas de desaparecer com a elevação do nível do mar.
Ambientalistas criticam ainda o fato de alguns chefes de Estado declararem apoio à agenda climática enquanto autorizam novas frentes de exploração emissora de gases de efeito estufa.
Um exemplo é a licença concedida pelo governo brasileiro para estudos de exploração de petróleo na Margem Equatorial, na Foz do Rio Amazonas. O governo Lula defende que há segurança técnica e afirma que os lucros da atividade poderão financiar a transição verde.
“A COP30 demonstrou apoio crescente a um roteiro para o abandono dos combustíveis fósseis. Portanto, o resultado de Belém deve incluí-lo para garantir que acabemos com a queima de petróleo, gás e carvão o mais rápido possível. Relatórios e mais negociações não são suficientes. Precisamos de um plano de resposta global”, afirmou Carolina Pasquali, diretora-executiva do Greenpeace Brasil. Ela também ressaltou que o rascunho carece de um plano para acabar com o desmatamento, outra grande fonte de emissões.
Negociações devem continuar no fim de semana
O incêndio registrado na quinta-feira provocou correria e interrompeu temporariamente as discussões em Belém. No entanto, o espaço da Zona Azul, onde ocorrem as reuniões entre delegações, foi reaberto às 20h40, permitindo a retomada das atividades nesta sexta-feira.
Embora o encerramento oficial da conferência estivesse previsto para esta sexta, a expectativa é de que as negociações se estendam pelo fim de semana, como já ocorreu em edições anteriores, que terminaram no sábado ou até no domingo.
*Com informações da Agência Estado












