Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma confusão registrada em uma Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), em Manaus, terminou em luta corporal entre um advogado e policiais civis na tarde dessa sexta-feira, 30/1. O episódio ocorreu após uma briga de trânsito, registrada em vídeos que circulam nas redes sociais.
A imagens mostram momentos de tensão da unidade policial situada no bairro Cidade de Deus, zona Norte da capital. De acordo com testemunhas, o advogado Robert Lincoln da Costa Areias teria se envolvido em uma discussão no trânsito com uma mulher e, segundo relatos, teria feito ameaças à vítima.
Ainda de acordo com testemunhas, ele teria simulado estar armado e batido no carro da mulher com tapas, enquanto um acompanhante tentava apaziguar a situação. Após o ocorrido, ambos seguiram para a Delegacia da Mulher das zonas Norte e Leste para registro da ocorrência. Na unidade policial, vídeos mostram o advogado alterado.
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Nas imagens, ele sobe o tom com a delegada de plantão e teria chegado a afirmar que entraria em contato com o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas. Testemunhas relataram ainda que o advogado teria invadido setores restritos da delegacia sem autorização, mesmo após advertências dos servidores.
A situação evoluiu para confronto físico quando policiais civis tentaram contê-lo. Um dos agentes chega a perguntar ao advogado se “vai ter que usar a força”, enquanto ele estava sentado e era puxado pelo braço. O policial desferiu socos contra o advogado e contra um homem que tentava separar a confusão.
Posicionamentos
A Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Amazonas (OAB-AM) repudiou a atuação dos policiais civis e informou que acompanha o caso. Segundo a comissão, o advogado não ficou preso e deixou a delegacia acompanhado pelo presidente do colegiado.
“A OAB/AM reafirma que não vai admitir qualquer violação às prerrogativas da advocacia e adotará todas as providências institucionais cabíveis para a apuração dos fatos e responsabilização penal dos investigadores”, afirma o comunicado.
O órgão acrescentou que tomará medidas junto a órgãos competentes, como o Ministério Público do Amazonas e a Corregedoria de Segurança Pública, mas não se pronunciou sobre as acusações iniciais envolvendo a briga de trânsito e a ameaça contra a mulher.
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) também se manifestou e repudiou a conduta do advogado, investigado por descumprimento de medida protetiva contra sua ex-esposa. Segundo o órgão, durante os procedimentos, o homem se exaltou dentro das dependências da unidade policial. Diante da situação, ele recusou se retirar do local, e foi necessário o apoio de policiais civis.
“A Polícia Civil reafirma o respeito ao exercício da advocacia, mas reitera que prerrogativas não sobrepõem os deveres de urbanidade, legalidade e respeito, especialmente em um espaço de acolhimento a mulheres vítimas de violência”, diz trecho da nota.
Após o episódio, o advogado registrou um vídeo na unidade especializada, em que se desculpa e esclarece o que aconteceu.






