Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O comandante da lancha Lima de Abreu XV, Pedro José da Silva Gama, de 43 anos, está foragido após a Justiça do Amazonas decretar sua prisão preventiva pelo naufrágio ocorrido na região do Encontro das Águas, em Manaus. O acidente deixou três mortos e cinco pessoas desaparecidas. Desde a decisão judicial, ele não foi localizado.
A ordem de prisão foi assinada no sábado, 14/2, pela juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto, com o objetivo de garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal. O mandado determina que, após a prisão, o comandante seja encaminhado a uma unidade prisional. Ele havia sido preso em flagrante na sexta-feira, 13, mas foi liberado após pagamento de fiança.
O naufrágio aconteceu por volta das 12h30 de sexta-feira, 13, quando a embarcação de passageiros saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte. Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 80 pessoas estavam a bordo. Destas, 71 foram resgatadas sem ferimentos graves. Entre as vítimas fatais está o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos.
Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas na água, incluindo crianças, sobre botes salva-vidas enquanto aguardavam socorro. Em um dos registros, uma mulher relata que havia alertado o condutor para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, as ondas turbulentas características da região.
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) informou que realiza diligências para cumprir a ordem judicial e localizar o comandante.
As buscas pelos desaparecidos seguem com uma força-tarefa que envolve mergulhadores, embarcações, drones, um helicóptero e três sonares. A embarcação foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade. Equipes de Itacoatiara e Parintins também participam da operação, já que há a possibilidade de vítimas terem sido levadas para áreas mais distantes.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as buscas são consideradas complexas por causa das fortes correntes e das mudanças de direção no encontro entre os rios Negro e Solimões, além da grande profundidade do local.
A Marinha do Brasil informou que mantém equipes atuando tanto na área do acidente quanto nas margens dos rios. O Comando do 9º Distrito Naval empregou uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste, uma embarcação do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas e duas lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental. Segundo a corporação, também foram coletados dados dos sobreviventes para auxiliar nas buscas e na apuração do caso.






