“Tron: Uma Odisseia Eletrônica” (1982) marcou sua própria década e impactou os filmes de ficção científica para sempre. Depois de 28 anos, “Tron: O Legado” (2010) estreou nas telonas com novos efeitos visuais, mas acabou não conseguindo estabilizar a marca. Agora, “Tron: Ares” chega aos cinemas como a nova promessa de revitalização da franquia.
Assisti ao filme na quarta-feira, dia 8/10, à convite da Disney e Espaço Z. O longa é dirigido por Joachim Rønning (Malévola) e protagonizado por Jared Leto (Morbius), Greta Lee (Vidas Passadas), Evan Peters (X-Men: Apocalipse), Gillian Anderson (Arquivo X) e mais.
É preciso reconhecer a coragem em escolher Jared Leto como o rosto de uma nova aposta multimilionária. O ator tem um histórico conturbado, principalmente com grandes produções IPs (Intellectual Property, ou seja, propriedade intelectual), como visto nos filmes Esquadrão Suicida e Morbius.
No entanto, em “Ares”, Leto entrega uma performance razoável como o personagem-título, uma inteligência artificial que evolui além do esperado.

O filme traz uma novidade empolgante ao inverter a proposta dos anteriores. Desta vez, não são pessoas do mundo real que vão ao mundo virtual, mas as “pessoas virtuais” que chegam ao nosso. Isso abre novas possibilidades que o longa explora ao colocar uma eletrizante sequência de perseguição com as icônicas motos neon cortando as ruas do mundo real.
Outro destaque é a imponente trilha sonora da dupla Trent Reznor e Atticus Ross, do Nine Inch Nails. O espetáculo visual de “Tron: Ares” é elevado à máxima potência acompanhado pelas músicas eletrônicas da dupla.
No entanto, onde sobra refinamento visual e sonoro, falta o mesmo empenho na sofisticação da trama e seus personagens. A história e motivações de Ares já foram vistas muitas outras vezes e é repetida aqui sem grandes adições.
Apesar de introduzir ótimos conceitos e discussões, o roteiro não alcança o requinte das imagens, ficando no básico. Alguns momentos do filme parecem inseridos artificialmente para seguir de forma mecânica a cartilha de blockbusters.
Ainda sim, “Tron: Ares” é um filme divertido e cheio de ótimas cenas de ação iluminadas em neon. Os fãs da franquia vão se alegrar ao ver uma série de homenagens aos 1980 e ao legado dessa odisseia eletrônica em si.