O Brasil entrou numa fase tensa nas relações com os Estados Unidos. Depois das tarifas pesadas e da suspensão de vistos, cresce o burburinho sobre uma medida que parece saída de filme de espionagem, cortar o acesso ao GPS.
A ideia parece absurda, mas já é suficiente para colocar muita gente preocupada com os impactos de um eventual desligamento, já que a dependência desse sistema norte-americano nunca foi tão evidente e a ausência dele poderia gerar uma paralisação sem precedentes em vários setores do país.
Dependência que assusta
O GPS, criado originalmente para fins militares pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, se espalhou pelo mundo e hoje está no coração de setores estratégicos. Especialistas apontam que a interrupção do sistema teria impacto direto em petróleo, mineração e agricultura de precisão, setores que praticamente não funcionam sem o suporte da tecnologia de posicionamento.
Bancos, sistemas de pagamento eletrônico, aviação civil e até a segurança pública brasileira também estão atrelados ao sinal. A realidade é que quase tudo o que move a economia moderna passa de alguma forma pelo GPS, e um corte abrupto revelaria de maneira brutal o quanto o Brasil se acomodou em relação a essa dependência.
Dá para cortar só o Brasil?
Muitos acreditam que bloquear apenas o território brasileiro seria improvável, já que os satélites transmitem sinais amplos e constantes que atingem simultaneamente diversas regiões.
Para que os Estados Unidos conseguissem atingir apenas o Brasil, teriam de modificar a forma como o sinal é distribuído, o que poderia gerar consequências indesejadas até mesmo para eles próprios e para países vizinhos.
A dificuldade técnica não elimina a preocupação política, pois, mesmo que essa medida nunca tenha sido usada como arma diplomática, o simples debate já expõe uma vulnerabilidade estratégica que pode ser explorada em contextos de tensão internacional.
O jogo geopolítico
Nunca houve registro de os Estados Unidos utilizarem o GPS como instrumento de pressão em relações diplomáticas, mas analistas lembram que em cenários de confronto as regras do jogo podem mudar rapidamente. Enquanto isso, Brasília tenta se mexer para reduzir o risco.
O Gabinete de Segurança Institucional instituiu um grupo de trabalho com prazo de 180 dias para apresentar alternativas e avaliar a viabilidade de um sistema nacional.
A proposta não é rivalizar em escala global, mas sim garantir que setores vitais da economia e da defesa não fiquem totalmente expostos a decisões externas. Essa iniciativa chega tarde, porém, em um momento em que a dependência já está consolidada e o tempo para reagir é cada vez menor.
Entre a paranoia e a precaução
Os boatos sobre um corte do GPS podem nunca sair do campo da especulação, mas o simples fato de isso estar em pauta já serve como alerta sobre a fragilidade da posição brasileira. O país confiou demais em um recurso essencial que não controla, e agora começa a despertar para a necessidade de buscar independência tecnológica. O problema é que a pressa para criar soluções próprias só aparece quando a ameaça já está rondando.
O Brasil precisa decidir se vai continuar como espectador passivo em um jogo onde as peças estão sendo movimentadas por outros ou se finalmente vai assumir responsabilidade sobre suas próprias infraestruturas estratégicas.
A guerra diplomática com os Estados Unidos ainda pode ser apenas um cenário hipotético, mas a vulnerabilidade é real e palpável.
A sensação que fica é que o país prefere sempre viver no improviso, confiando que nada de grave vai acontecer, até que um dia descobre, da forma mais dura possível, que soberania não se constrói de última hora.






