Quando Alex Novak (Will Arnett) e Tess Novak (Laura Dern) se divorciam, ele busca uma forma de lidar com seus sentimentos. Ao invés de procurar ajuda especializada, ele começa a fazer stand-up como forma de terapia. Essa é a premissa de “Isso Ainda Está de Pé?”, novo filme do diretor Bradley Cooper, mais conhecido por sua carreira como ator.
No seu terceiro trabalho na direção, Cooper revela seu interesse em contar histórias sobre a humanidade de pessoas do showbusiness nas suas obras. Inspirado pela história real do comediante inglês John Bishop, ele trabalha unindo uma fotografia naturalista, a técnica da câmera na mão, planos longos e muitos closes fechados no rosto do protagonista para evocar uma atmosfera intimista que ressalta o realismo, mas de forma quase despretensiosa.
Isso tudo está presente já no início, desde quando vemos Alex com uma expressão vazia, encostado nos fundos de onde acontece uma festa até quando, na cena seguinte, ele e Tess decidem mutuamente pelo divórcio. Sem brigas. Sem gritos. Sem lágrimas. Assim se instala o tom que orienta o longa.
Após o divórcio, Alex perambula sozinho pela cidade em busca de algo para se animar. Ele vê um bar e tenta entrar, mas não quer pagar a taxa. Então se inscreve como comediante de stand-up para ir de graça. É aí que o filme alcança seu melhor estado.
As escolhas criativas são melhor utilizadas para ressaltar o momento em que o protagonista sobe ao palco meio desengonçado e começa contar suas “piadas” – relatos de sua própria vida – com extensos silêncios entre uma frase e outra, conseguindo, a princípio, umas poucas risadas tímidas. Desde a primeira vez que ele se apresenta e durante todas as apresentações seguintes, o sentimento é o mesmo. É desconfortável, desajeitado e engraçado.
Contudo, fora dessas cenas, as escolhas parecem exageradas. À medida que a projeção avança, ele fica menos interessante, tornando mais difícil investir nos dramas e diálogos entre os personagens. Há, ainda, um mal aproveitamento do elenco e seus personagens.
Dern, por exemplo, brilha como Tess, mas a impressão que fica é que o seu tempo de tela é curto demais para uma história sobre divórcio onde ela é a ex-esposa.
Ao fim, as situações-problema que são a base do filme se resolvem rápido demais. Quando nos damos conta, já estamos na cena final ao som de “Under Pressure” do Queen e David Bowie. A sequência é bonita e esperançosa, mas o sentimento não resiste à reflexão. No geral, “Isso Ainda Está de Pé?” é um filme que anda a passos lentos e irregulares, sempre tropeçando.