Em “Família de Aluguel”, Brendan Fraser interpreta Philip Vanderploeg, um ator americano radicado em Tóquio que, após uma carreira estagnada, começa a trabalhar em uma agência que aluga “familiares” para pessoas solitárias. Aos poucos, ele desenvolve conexões genuínas com seus clientes.
Dirigido com serenidade por Hikari, o filme adota um ritmo contemplativo, tratando a solidão urbana como pano de fundo, não como melodrama. Em seu primeiro papel depois de ganhar o Oscar em 2023 com “A Baleia”, Fraser oferece uma atuação contida, mas poderosa, dando vida a um homem deslocado que, ao amenizar a solidão alheia, confronta a própria.
A premissa reflete um fenômeno real do Japão contemporâneo, funcionando como espelho crítico de uma sociedade onde relações sinceras podem se tornar serviços na ausência de intimidade. Embora o roteiro evite exageros, peca por ficar na superfície, deixando alguns arcos, temas e personagens subexplorados.
Ainda assim, “Família de Aluguel” é um filme sensível e acolhedor, que afirma como gestos de cuidado — mesmo inicialmente performáticos — podem gerar afeto real. Com a gentileza de um bom filme da Sessão da Tarde, deixa uma reflexão tranquila e um calor no peito. Há dias em que isso é tudo que precisamos.
