Semana passada assisti a um vídeo de um empresário do ramo educacional chamado Álvaro Schocair, que apresentou em dez minutos uma maneira inovadora de ensinar negócios na faculdade, atraindo um seleto público de estudantes de administração para uma escola que já é, em si, uma empresa.
Tudo diferente do convencional e, pela sua explicação, muito mais focado na execução de um plano simples e direto, estruturado para o sucesso, do que uma ideia de projeto hipotético, para um cenário improvável, digno de quem joga pedra na lua, como diz um grande amigo. Sabe aquele negócio do simples muito bem-feito, que dá gosto de ver e você se empolga tanto quanto a pessoa que explica a ideia? Pronto. É isso.
Ao fim do vídeo, o entrevistador perguntou ao Álvaro como ele gostaria de ser lembrado quando partisse do mundo. Pensei “vai dizer que quer ser lembrado como um grande empreendedor, visionário, outlier…”. Em vez disso, respondeu apenas “alguém que, por onde passou, deixou o lugar melhor”. Completou: “as pessoas pretendem construir um mundo melhor através de grandes feitos, mas o mundo melhor é construído na grandiosidade das pequenas ações”. E ainda deu o exemplo mais simples e verdadeiro que nunca pensei em ouvir na vida, explicando que, “quando você sai de um banheiro – qualquer banheiro que seja – você pode deixá-lo pior, igual ou melhor do que quando você entrou; se você não der descarga ele vai ficar pior; se você fizer tudo direito, lavar as mãos e ainda jogar o papel no lixo, você vai deixar igual; mas, se você aproveitar o papel toalha em que enxugou as mãos para enxugar a pia, que estava molhada antes de você entrar, e ainda jogar o papel no lixo, aquele lugar, certamente, ficou melhor após a sua passagem por ele”. Sen-sa-ci-o-nal!
De fato, queremos o muito e esquecemos de fazer o pouco. Na maioria das vezes, nada é feito, nem sai do lugar. A vontade de ter e ser rápido, tiram a importância da paciência para planejar, o poder da fé para não desistir e o prazer da conquista mantendo os pés no chão.
O segredo de tudo está nos detalhes que, um dia, a gente deixa de perceber e passa a fazer tudo de qualquer jeito, sem lembrar de cuidar com o mesmo zelo, valorizar com o mesmo apreço, mas deveria enxergar sem precisar dos óculos da opinião alheia, fazendo o básico muito bem-feito.
Confúcio disse, quinhentos anos antes de Cristo, que a palavra convence, mas o exemplo arrasta. Paulo de Tarso o repetiu e o Álvaro renovou a pequena lição de um jeito diferente, dando um grandioso exemplo e promovendo em vida o legado que pretendia deixar como lembrança quando desencantasse. Sua rápida passagem pela minha vida me deixou uma pessoa melhor e, certamente, não sou o único.