Fórum Econômico Mundial: A IA não está vindo te substituir, ela está vindo te obrigar a aprender a programar
O futuro não bate à porta; ele a arromba com um robô aspirador gigante e superinteligente. Se você achava que a automação era papo de filme de ficção científica, é bom começar a se acostumar a ver seu vizinho, o caixa de banco, vestindo um macacão e aprendendo a programar algoritmos.
A quinta edição do relatório Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial e da Fundação Dom Cabral, é o novo manual de instruções da humanidade. A boa notícia: entre 2025 e 2030 serão criados 170 milhões de empregos. A má notícia: 83 milhões serão eliminados.
A matemática do desemprego é cruel, contudo, o saldo de 78 milhões de novas vagas é o que importa. Bem-vindo à loteria do emprego global.
A tecnologia virou jogo de gente grande e agora vão te trocar por um algoritmo
Prepare-se para ouvir muito a palavra STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). No Brasil, formamos poucos engenheiros, mas o mercado de trabalho não quer saber disso: ele está sedento por gênios digitais e especialistas em Big Data.
Um relatório da Exame mostra a lista dos que vão rir à toa no futuro: especialistas em IA e Machine Learning, engenheiros de FinTech e o bom e velho desenvolvedor de software.
Ou seja, se o seu projeto envolve criar um sistema de controle de alguma coisa, você está no caminho certo. Essas são as profissões que vão sustentar a economia verde — e o caos digital que criamos. Quem não tiver o “chip da TI” no currículo será gentilmente convidado a procurar um novo hobby.
O adeus ingrato ao operacional: onde os robôs vencem a burocracia
Sabe aquele seu colega que passa o dia organizando pastas no arquivo? Pois é, ele está oficialmente na lista dos ameaçados.
O Fórum Econômico Mundial foi claro: funções administrativas e operacionais estão na berlinda. Os robôs não tiram férias, não pedem aumento — então, a escolha é simples. Caixas, operadores de telemarketing e assistentes administrativos podem ir dando adeus.
A ironia é que a gente lutou tanto por empregos de escritório, e agora a mesa está virando pó digital. A automação está varrendo os trabalhos repetitivos com a mesma eficiência com que varre o chão da fábrica.
Seu novo chefe é o pensamento analítico e criativo
Esqueça o diploma da faculdade de 15 anos atrás — ele já foi. A grande sacada do estudo é que qualificação não é mais um bônus, é a sua carteira de identidade profissional.
Segundo o relatório, 78% dos trabalhadores estão implorando por treinamento, e 53% das empresas brasileiras já priorizam habilidades tecnológicas.
As competências mais valorizadas parecem um manual de autoajuda: pensamento analítico, resiliência, flexibilidade e criatividade. Em outras palavras, você precisa ser um robô emocionalmente inteligente que pensa fora da caixa.
O lado bom é que, se você conseguir ser flexível e resiliente, talvez não seja demitido tão rápido quanto o cara que só sabe apertar o Enter.
A lição final: qualificar ou demitir, eis a questão
O Brasil tem um problema sério: a lacuna de habilidades. Não temos o que o mercado precisa, e as empresas enfrentam um dilema, demitir e contratar novos talentos ou investir na requalificação dos atuais.
De acordo com o estudo, 58% das empresas vão buscar novos profissionais, enquanto 48% tentarão migrar funcionários de funções em declínio para áreas em crescimento.
Como disse Hugo Tadeu, da FDC, “o futuro do trabalho está na qualificação da mão de obra para sustentar o crescimento econômico de uma empresa e de uma nação”.
Ou a gente aprende a usar a chave de boca digital, ou o robô é quem vai fazer a manutenção do nosso futuro.






