Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O coletivo “Mães por Justiça – AM”, formado por mães que perderam seus filhos devido à negligência na rede pública de saúde do Amazonas, tem chamado atenção para falhas graves no sistema de saúde estadual.
Em vídeo divulgado nas redes sociais do vereador Rodrigo Guedes (PP), nesta quarta-feira, 28/1, o grupo cobrou respostas do poder público e pediu justiça e mudanças imediatas.
Com mais de 20 mães unidas por amor, dor e luta, o coletivo relata que muitas crianças morreram precocemente ou ficaram com sequelas permanentes por conta de falhas evitáveis. “Todas fazem parte de uma triste realidade que ainda acontece no Amazonas”, afirma o grupo em suas redes sociais.
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Falhas estruturais e falta de assistência
Segundo o parlamentar Rodrigo Guedes, os pais perderam seus filhos por causas que vão desde a falta de equipamentos e remédios até erros médicos e falhas estruturais. “A saúde pública é para salvar vidas, não para tirá-las. Agora que perderam seus filhos, a única coisa que lhes resta é lutar por justiça”, destacou.
O vereador reforçou que o governo do Amazonas precisa enfrentar a realidade: “Nós somos o coletivo Mães por Justiça e o que queremos é justiça pela Alice Vitória (…). Vamos lutar por justiça”, afirmou.
Relatos de negligência
Entre os casos denunciados, está o de Markely Rodrigues, que em 2024 perdeu seu filho Anthony, um bebê com menos de um ano.
Segundo ela, a equipe do Hospital e Pronto-Socorro da Criança Joãozinho, na zona Leste de Manaus, ignorou sinais de sofrimento do menino, que apresentava dificuldades respiratórias e coloração arroxeada. Mesmo diante da urgência, o bebê foi encaminhado apenas à enfermaria, recebendo apenas um medicamento, sem assistência adequada.
Vidas interrompidas

Para Markely, os filhos mortos não são números, mas vidas interrompidas por falhas repetidas e descasos do sistema de saúde.
“Queremos respostas, responsabilização e, principalmente, mudanças reais. Não aceitamos mais silêncio, impunidade e naturalização da morte causada por negligência. O que acontece hoje na saúde pública do Amazonas é grave e precisa ser enfrentado”, disse.
Ela acrescenta que a luta não é apenas pessoal: “É por todas as famílias que ainda podem ser poupadas dessa dor. Seguiremos firmes, unidas e vigilantes, até que a justiça seja feita e a vida seja, de fato, prioridade”.
Violência obstétrica e atuação do MPF
O ano de 2025 marcou diversos casos de negligência e violência médica. Em resposta, o Ministério Público Federal (MPF) publicou, em 21 de janeiro de 2026, uma recomendação formal ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) para adotar medidas de prevenção e punição da violência obstétrica.
O documento, assinado pelo procurador da República Igor Jordão Alves, se baseia em normas nacionais e internacionais de direitos humanos e reforça a necessidade de medidas estruturais e protocolos específicos para proteger mães e crianças no estado.






