Alita Falcão e Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores da zona Centro-Oeste de Manaus, especificamente do beco Carpina 1, no bairro Redenção, foram vítimas de um deslizamento de terra neste domingo, 24/3, devido à forte chuva, resultando no desabamento da casa de Solonidas de Oliveira Lemos, conhecido como ‘seu Oliveira’. O incidente, além de causar danos materiais, resultou na morte do seu cachorro.
No beco Messejana, nas proximidades da primeira ocorrência, o cenário de destruição foi muito pior. Outro deslizamento de terra resultou no desabamento de diversas casas. A equipe do Portal RIOS DE NOTÍCIAS esteve no local e pôde perceber que a tragédia foi causada pelo desmoronamento de um grande barranco, cobrindo residências com lama e destroços.


Raimundo, um morador deficiente visual, foi resgatado por vizinhos antes que sua casa fosse completamente engolida pelo barro e ele fosse soterrado. Outros residentes, como José Maria Reis Mota, perderam tudo no desabamento de suas casas, que foram soterradas pela avalanche de terra.
“A minha casa foi a primeira a desabar lá de cima. O muro da empresa desabou, levou a minha casa, levou a casa do vizinho, levou a outra casa da vizinha. Eu fiquei sem nada. Até agora, não tive nenhum auxílio, ninguém fez nada por mim. Então, espero que os governantes reponham minhas coisas”, disse José Maria, que é conhecido como Bigode pela vizinhança.
A situação é crítica para os afetados, como relatou Joaquim Soares Berge, cuja casa ainda está em risco devido ao contínuo desbarrancamento. Ele clama por assistência urgente das autoridades, especialmente da Defesa Civil, que ainda não prestou socorro à comunidade.
“O barranco está cedendo, e o que a gente pode fazer? Não pode fazer nada, mas eu também não vou ficar aí dentro de casa, vou ter que sair. Eu estava na frente de casa, jogando uma água na casa porque tinha entrado lama. Aí eu ouvi um barulho olhei pro lado daqui do vizinho. Foi quando eu vi que a casa do Bigode já tinha caído. Aí eu corri pra cá e falei pro seu Raimundo: ‘bora sair daqui de dentro, senão o senhor vai ficar soterrado’. Ele não queria sair da casa. Eu peguei no braço dele e saí puxando e trouxemos ele pra fora. Porque se ele tivesse ficado lá, antes, um minuto, ele teria sido soterrado”, contou ainda emocionado.
‘Promessa não cumprida’

No beco Carpina 1, Solonidas de Oliveira Lemos e a vizinhança cobram pelas promessas não cumpridas pela Prefeitura de Manaus. Ele disse à REPORTAGEM que o diretor de operações da Defesa Civil, José Mendes, esteve presente para prestar suporte à comunidade. No entanto, foi a rápida ação dos vizinhos que ajudou a minimizar os danos e evitar uma tragédia maior.
Seu Oliveira, apesar do abalo emocional e dos prejuízos materiais, expressou gratidão pelo fato de sua família não ter sofrido ferimentos graves. “Uma tragédia, infelizmente, mas graças a Deus estamos bem. Perdemos só bens materiais, depois Deus vai nos dar. Conseguiram retirar o corpo do meu cachorro e estamos deixando para passar essa chuva para enterrá-lo”, disse.
Diego Alvorada, um dos moradores locais, afirmou que não há uma preocupação do poder público com ações preventivas.Ele lembrou que há tres anos um deslizamento ocasionou a morte de uma criança de sete anos.



“É lamentável que ainda estejamos enfrentando a mesma situação. Alguma coisa precisa ser feita para evitar novos acidentes. Há três anos atrás, o [prefeito] David Almeida estava aqui pedindo voto, dizendo que ia fazer uma galeria e que ia melhorar. E agora? Ele vai voltar aqui de novo?”, questionou Diego.
“A gente está aqui pedindo em nome da família do nosso amigo, que é um trabalhador. A comunidade aqui é unida. Fizemos um mutirão rápido, graças a Deus não aconteceu nada, nenhuma vida foi perdida. Mas fica o nosso apelo para a Prefeitura, para a Secretaria de Infraestrutura (Seminf), a Defesa Civil. Quem puder vir olhar e ajudar aqui, estamos precisando resolver. É isso que a gente pede”, clamou Diego.
Segundo os moradores, a Defesa Civil prometeu retornar para uma avaliação mais detalhada da área e discutir possíveis formas de assistência à família afetada.
Enquanto isso, a comunidade da Redenção permanece em alerta, ciente dos riscos que enfrenta devido à infraestrutura precária e à falta de medidas preventivas adequadas.






