Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O nível do Rio Negro continua subindo lentamente nas proximidades de Manaus. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o rio caminha para a estabilidade do pico da cheia, enquanto outras calhas fluviais no estado já apresentam sinais de vazante.
De acordo com a última atualização, divulgada na sexta-feira, 13/6, a régua do Porto de Manaus registrou a cota de 28,85 metros. Desde a última vazante, o Negro já subiu 16,74 metros. Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a superintendente regional do SGB, Jussara Cury, explicou que, embora o nível esteja dentro da faixa de normalidade, ele está no limite superior.
“As cotas ainda estão dentro do intervalo considerado normal, mas já um pouco acima. Em comparação ao ano passado, temos uma diferença de aproximadamente dois metros a mais neste mesmo período”, destacou a pesquisadora.

A especialista também chama atenção para a intensificação de eventos extremos nos últimos anos. “Nesses últimos 30 anos, esses eventos têm sido mais recorrentes. Por exemplo, em 2021 e 2022, tivemos grandes cheias. Já em 2023 e 2024, enfrentamos fortes estiagens. Tudo isso está relacionado às mudanças climáticas”, afirmou.
Dados do Boletim da Cheia apontam que 425.844 pessoas já foram afetadas pelas enchentes no estado.
Ao todo, 36 municípios estão em situação de emergência, 22 em alerta, um em atenção e três em condição de normalidade. Manaus está classificada como “em alerta”. Rios como o Purus e o Madeira já iniciaram o processo de vazante.
Na zona Sul da capital, o morador José Rodrigues, do bairro Educandos, relata os prejuízos causados pela cheia.
“O prejuízo é grande. Temos a nossa carreira (canoa), mas nesse período ela não funciona direito. A maior dificuldade é essa”, disse.


O estudante João Vitor também pontua os problemas decorrentes da cheia — e da seca.
“A poluição do rio é um problema sério. Quando está cheio, a água fica muito suja. E quando está seco, além da dificuldade para se locomover, o lixo acumulado atrapalha ainda mais”, criticou.






