Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um dos frutos mais conhecidos da Amazônia, a castanha é amplamente reconhecida no Brasil por suas diversas utilidades. No entanto, sua popularidade gera dúvidas sobre o nome correto do fruto: seria “castanha-do-Brasil”, “castanha-da-Amazônia” ou “castanha-do-Pará”?
A discussão ganhou visibilidade quando o ator amazonense Adanilo chamou a castanha nativa de “castanha-da-Amazônia” durante o programa É de Casa, da TV Globo. A fala gerou uma resposta indireta da ex-BBB Alane Dias, que defendeu nas redes sociais que o termo correto seria “castanha-do-Pará”. A troca de opiniões rapidamente repercutiu na internet.

Para esclarecer a questão sobre a nomenclatura correta, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com o pesquisador e historiador Roger Carpinteiro Péres.
“O nome correto seria ‘castanha-da-Amazônia’, porque ela é nativa da Amazônia. Os amazonenses sabem que a castanha encontrada aqui faz parte da culinária e da gastronomia amazonense, não apenas do Pará. Além disso, na balança comercial do estado do Amazonas, ela sempre figurou entre os itens mais exportados, junto com a borracha”, afirmou o historiador.
Roger também explicou a origem histórica do termo castanha-do-Pará. Além de ressaltar que internacionalmente o fruto é conhecido com “Brazil Nuts” destacando sua importância para toda a região Norte.
“A razão de chamarem de ‘castanha-do-Pará’, em vez de ‘castanha-da-Amazônia’, está ligada a um fator histórico. O Amazonas fazia parte da grande Província do Grão-Pará, e Manaus era apenas uma capitania. Somente em 1850 nos separamos do Pará e ganhamos nossa autonomia política. É por isso que comemoramos o dia 5 de setembro, que marca a nossa separação e a conquista da autonomia do estado. Inclusive internacionalmente é chamada de ‘Brazil Nuts’ a castanha”, esclareceu Péres.

Produção do fruto
De acordo com um estudo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o fruto da castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa H. B. K.) é nativo da Amazônia. A árvore pode ser encontrada em países como Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guianas, Peru e Venezuela, além dos estados brasileiros Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.
No Brasil, mais de 90% da produção de castanha-do-brasil provém do extrativismo, atividade majoritariamente realizada por pequenos produtores e suas famílias.
Segundo o levantamento da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), o estado do Amazonas foi o maior produtor de castanha em 2023, com uma produção de 11,291 toneladas. No estado, o fruto só perde em volume de produção para o açaí.

O Amazonas ocupa essa posição de destaque desde 2016, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além disso, o estado abriga as seis maiores agroindústrias de processamento de castanha, geridas por associações e cooperativas. Essas agroindústrias estão localizadas nos municípios de Amaturá, Barcelos, Beruri, Boca do Acre, Lábrea e Manicoré.
Também por conter altas concentrações de nutrientes, ela é considerada um “superalimento”, repleto de compostos lipídicos, proteicos e antioxidantes como o selênio, associado à proteção contra doenças neurodegenerativas e câncer.






