Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os casos de violência doméstica no Amazonas aumentaram 31,5% em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM). Entre janeiro e agosto deste ano, foram 3.637 registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, sendo 597 a mais que no mesmo período de 2024.
O levantamento mostra que os meses com maior crescimento proporcional foram março, abril e agosto, com alta de até 37%. Em setembro deste ano, o Amazonas alcançou o maior número de casos da série, com 566 ocorrências, superando todos os meses do ano anterior.
Ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a delegada adjunta da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher – unidade Centro-Sul, Priscilla Oberg, explica que o aumento reflete tanto a persistência da violência quanto uma maior conscientização das vítimas sobre seus direitos.
“Há três fatores que influenciam esses números. Um é o aumento da própria violência, com a misoginia mais exposta nas redes e discursos extremistas. Outro é a maior consciência das mulheres sobre a importância de denunciar. E também há o impacto das campanhas e operações nacionais, como a Operação Chamar, que alcançou municípios do interior”, explicou a delegada.
Priscilla Oberg, delegada
Segundo ela, as agressões físicas, morais e psicológicas continuam entre os tipos mais frequentes registrados nas delegacias da mulher. Casos de violência sexual e patrimonial aparecem com menor incidência, mas seguem presentes nas ocorrências.
“A lesão corporal vem acompanhada de injúria, calúnia, difamação e ameaças. É um combo de agressões que atinge o corpo e a mente da mulher”, afirmou Oberg.
A delegada destacou ainda que, apesar das campanhas e ações preventivas, a subnotificação ainda é uma realidade no Estado. Em muitos casos, as vítimas não se sentem prontas emocionalmente para pedir ajuda.
“Muitas vezes, a mulher acredita que não consegue mais reagir, seja pela necessidade dos filhos, financeiras, então, é essencial mostrar que ela tem uma rede de apoio, jurídica, psicológica e social, e que não está sozinha. O poder público está atuando”, ressaltou.
Como denunciar e buscar proteção
A delegada explica que, ao chegar à Delegacia da Mulher, o primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência. Caso haja necessidade, uma medida protetiva pode ser solicitada imediatamente, e o juiz tem até 48 horas para concedê-la.
Além disso, há uma rede de proteção para mulheres que não podem retornar para casa, incluindo o Serviço de Apoio Emergencial à Mulher, que oferece suporte jurídico, assistencial e psicológico.
As denúncias podem ser feitas pelos canais 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 197 (Polícia Civil), além da Delegacia Virtual da Mulher, que permite solicitar medidas protetivas online. Em Manaus, há três unidades presenciais: nas zonas Centro-Sul, Sul e Norte-Leste.
“É preciso que elas consigam entender que estão sendo vítimas de uma violência, mas acima de tudo, que elas têm direito de viver em segurança, de viver em paz, e que elas procurem comunicar isso para alguém, seja por um vizinho, seja por um parente, para que elas comuniquem essa violência ou para que elas mesmas denunciem a violência para que nós possamos combater, prevenir, investigar, apurar e, se for o caso, responsabilizar o agressor.”
Priscilla Oberg, delegada
Respostas
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) para comentar os números elevados, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.






