Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os casos de rotavírus aumentaram 125% no Amazonas entre os anos de 2022 e 2023, conforme os dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). A doença acomete principalmente crianças, mas também pode infectar adultos.
Nos últimos três anos, o Amazonas registrou cerca de 212 casos confirmados de rotavírus. De janeiro a dezembro de 2023, foram contabilizados 115 casos confirmados da doença.
O cenário é mais que o dobro dos casos do ano passado, quando o Amazonas registrou 51 casos. Já em 2021, o número de casos confirmados de rotavírus chegou a 46.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas informou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que a notificação dos casos de rotavírus para crianças menores de 5 anos é obrigatória. Já para maiores de 5 anos, os casos notificados são para surtos, ou seja, quando há mais de um caso que tenham relação ente si.
Conforme o infectologista Noaldo de Lucena, o aumento repentino de casos de rotavírus revela um surto da doença na região. O registro dos casos de rotavírus também possibilita o reconhecimento das causas de diarreias para além de agentes bacterianos.
“Uma maior notificação com uma maior possibilidade de diagnóstico também faz com que a gente tenha conseguido descobrir que as causas das diarreias que geralmente acometem as crianças nesse período não só são única e exclusivamente de causa bacteriana, mas também causadas por vírus e, na sua maioria das vezes, pelo rotavírus”
Noaldo de Lucena, infectologista
O que é o rotavírus?
Ao portal RIOS DE NOTÍCIAS, o infectologista Noaldo de Lucena explicou que o rotavírus é o agente causador da doença rotavirose. Uma das características da doença é que ela possui uma predileção principalmente em crianças.
“Crianças entre seis meses e mais ou menos quatro anos de idade. Mas também podem acometer adultos que tenham a predileção toda especial pelo aparelho gastrointestinal. Por isso, os sintomas geralmente estariam associados especialmente a vômito, diarreia e febre”, disse o infectologista.
A principal via de transmissão do vírus é a oral-fecal. No entanto, de acordo com o infectologista, o vírus pode permanecer em superfícies. Por ser uma doença transmissível por contato com outras pessoas é necessário fazer a higienização adequada, em especial, das mãos.
“É importante que medidas de higiene sejam tomadas. Ou seja, desde a lavagem das mãos, o uso do álcool, lavar a mão antes e depois de se alimentar e de ir ao banheiro, evitar tocar em partes em que se fez higienização sem ter lavado as mãos em outro local, porque o vírus pode sobreviver por um longo período nessas superfícies, portanto uma outra pessoa pode se contaminar. Existe também a possibilidade de transmissão aérea, mas é muito pequena e muito remota”, disse.
Sintomas
Os principais sintomas, de acordo com o infectologista, são febres fortes, diarreia, e vômitos constantes, os quais “se não forem controlados podem levar desidratação severa e inclusive levar a óbito”, informou o infectologista.
É importante que a doença seja identificada em um intervalo curto de tempo por meio de exames e testes rápidos. O tratamento do vírus é o chamado “de suporte”, com medidas paliativas para tratar os sintomas, como beber água em abundância.
“Nunca, jamais usar nenhum medicamento que retenha as fezes. As fezes devem ser liberadas para que o vírus possa ser liberado também”, salientou o infectologista.












